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domingo, 24 de maio de 2026

Entrevista: "Há uma controvérsia histórica". A polêmica sobre a data de aniversário de Igarapé-Miri-PA (#975)

Formação política/administrativa de Igarapé-Miri; linha do tempo, com base nas pesquisas do professor Marinaldo Pinheiro (arquivo do autor)

O Blog Poemeiro do Miri (BPM) entrevistou o historiador, pesquisador e professor Marinaldo Pantoja Pinheiro sobre a "polêmica" em torno da data de aniversário de Igarapé-Miri; Pinheiro é Doutor e Mestre em Educação, com estágio pós-doutoral pela Universidade do Estado do Pará. O governo e lideranças diversas festejaram, ontem, 130 anos de elevação à categoria de cidade. Estudiosos, prof. Marinaldo à frente, defendem que essa não é a data mais representativa: "O debate gira em torno de qual data melhor representa o verdadeiro aniversário de Igarapé-Miri. Para mim, o dia 26 de julho possui maior significado histórico", assegura o historiador. Confira, a seguir, a íntegra de suas respostas.

Pergunta (Blog Poemeiro do Miri): O governo e outras autoridades divulgam que o dia 23 de maio marca o aniversário da cidade de Igarapé-Miri, no interior do Pará. Existe uma polêmica sobre a data de aniversário de Igarapé-Miri?

Resposta (Prof. Dr. Marinaldo Pinheiro): Sim. Há uma controvérsia histórica sobre qual data melhor representa o aniversário de Igarapé-Miri. O poder público costuma celebrar o dia 23 de maio, data em que foi sancionada a Lei nº 438, de 1896, que concedeu à então Vila de Igarapé-Miri o direito de ser elevada à categoria de Cidade, cuja efetiva instalação ocorreu somente em 25 de julho do mesmo ano. Por outro lado, os documentos históricos apontam que outras datas possuem maior significado histórico e simbólico para a formação da localidade.

Pergunta (BPM): Essa situação tem reflexos educativos. Você poderia falar sobre esses ecos no campo educacional?

Resposta (Prof. Dr. Marinaldo Pinheiro): Sem dúvida. A coexistência de diferentes datas comemorativas tem gerado alguns impactos negativos no ensino da história local. Primeiro, há uma confusão histórica, pois estudantes e até professores encontram dificuldades para distinguir os diferentes marcos históricos do município. Além disso, ocorre uma fragilização da memória coletiva. Quando a narrativa oficial não dialoga com os acontecimentos mais significativos da história local, a população tende a se identificar menos com as comemorações cívicas. Também há uma redução da compreensão histórica, já que o foco exclusivo na elevação à categoria de cidade pode deixar em segundo plano acontecimentos fundamentais, como a emancipação política e administrativa do município.

Pergunta (BPM): Em termos didáticos, indagamos: por que você defende que o aniversário da cidade deve ser festejado em julho e não em 23 de maio?

Resposta (Prof. Dr. Marinaldo Pinheiro): Porque, historicamente, o aniversário oficial de Igarapé-Miri era celebrado em 26 de julho, data associada à autonomia política da localidade. O dia 26 de julho de 1845 marca a emancipação política e administrativa de Igarapé-Miri, quando o município passou a contar com governo local próprio. Já o dia 25 de julho de 1896 corresponde à instalação solene da cidade, ocasião em que ocorreram cerimônias públicas, posse de autoridades e festividades que marcaram a memória coletiva da população.

Pergunta (BPM): Podemos encontrar uma explicação política, uma estratégia de governo(s), para justificar o equívoco (de comemorar em maio, ao invés de em julho)? Comente.

Resposta (Prof. Dr. Marinaldo Pinheiro): A adoção de 23 de maio como principal data comemorativa é relativamente recente. Trata-se de uma escolha administrativa implementada em 2007. Há registros no Jornal Miriense daquele período indicando que a mudança foi uma iniciativa da então prefeita [Dilza Pantoja] e que as primeiras comemorações realizadas em maio não tiveram grande adesão popular, sendo classificadas pelo próprio periódico como um "fiasco". Assim, a preferência por maio não decorre de uma tradição histórica consolidada ao longo dos séculos, mas de uma decisão administrativa adotada há 19 anos atrás.

Pergunta (BPM): Em síntese, qual é o centro dessa discussão?

Resposta (Prof. Dr. Marinaldo Pinheiro): A questão principal gira em torno de qual data melhor representa o verdadeiro aniversário de Igarapé-Miri. Para mim, o dia 26 de julho possui maior significado histórico, por estar diretamente ligado à emancipação política e administrativa do município. Além disso, o dia 25 de julho remete à instalação efetiva da cidade perante a população. Por essa razão, julho é considerado o período que melhor expressa a memória histórica e a identidade coletiva de Igarapé-Miri.

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Perguntas: BPM (editor-fundador Israel Fonseca Araújo); contato: poemeiro@hotmail.com

Sobre o Entrevistado: Marinaldo Pinheiro, além de Doutor pela UEPA, tem formação em Filosofia e História, é membro da Academia Igarapemiriense de Letras (AIL), da Academia Paraense Literária Interiorana (APLI), do Instituto Histórico e Geográfico de Igarapé-Miri, professor na educação básica em Igarapé-Miri (ensinos Fundamental e Médio) e colaborador no Ensino Superior. É autor de diversos livros sobre Igarapé-Miri e, em especial, sobre História da Educação na Amazônia, onde pesquisa os grupos escolares e demais processos históricos que tematizam o campo educacional.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Helder Barbalho/Hanna não querem o PT na chapa ao governo do Pará? (#974)

Estrele (símbolo) do Partido dos Trabalhadores/as

Esta postagem não é favorável (contrária) ao PT; o Partido dos Trabalhadores(as) está sendo, digamos assim, humilhado pela família Barbalho, aqui no Pará. Por quê? Porque apequenou-se no cenário político paraense, porque não tem nem 3 prefeituras, no Pará; porque o partido do Presidente da República, partido de Lula da Silva, poderá não ter candidatura ao Senado Federal (campanha majoritária), não terá candidato(a) ao governo do Pará (e terá que apoiar Hanna Tuma/MDB, ao governo, e Helder Barbalho/MDB, ao Senado, campanhas majoritárias) e não tem, ainda, garantias mínimas de que será Vice na chapa de Hanna e/ou primeiro Suplente em uma candidatura ao senado: ou na chapa de Helder Barbalho ou na de Celso Sabino/PDT.

Vamos lembrar de uma coisa: pode parecer que, em nome das lutas pró-Lula, tudo vale, mas quem muito se abaixa... já sabe.

O que explicaria esse definhar? Diversos fatores, dentre eles os reiterados ataques na imprensa e, nos últimos anos, na imprensa mais redes sociais. Mas não os citarei, nem descreverei, por ora. O "problema" é o ano de 2026, o pós-2013 e pós-2018. Entendeu? Resposta: o extremismo político, os ódios nos espaços de internet, o período pré-Jair Bolsonaro e estes tempos de grave empoderamento do chamado bolsonarismo (extrema-direita, violências, discursos de ódio etc.). É claro que o PT não é, apenas, vítima; ele tem seus erros, tbm.

Mas, voltando ao centro da problemática; o que estaria em jogo nessas táticas dos Barbalhos, os quais não querem o PT na vaga de Vice da Hanna? É que, para os coronelistas políticos do Pará, o PT já é um "puxadinho" nos anseios e desejos de Helder Barbalho e Cia; o mesmo puxadinho que já é o PSDB, o PSB, o PC do B, o PDT e outros. Então, as decisões são tomadas lá encima (Brasília, condomínios de Belém do Pará) e Beto Faro (presidente estadual do PT), junto com suas articulações, trabalham para enterrar o último grande nome do PT no Pará: Paulo Rocha (destroem Rocha e vão derretendo a sigla, desanimando a militância, subjugando-a a seus interesses - interesses dele, de Faro, e de poucos mais); Lula da Silva faz as trançadas lá por Brasília, São Paulo, Minas e em outros cantos. O que era força popular vira tática coronelista vermelha. Sim. Assim como há os coronéis Barbalhos, há ímpetos de haver coronéis Faros.

Em meio a isso tudo, vem os momentos pré-eleitorais e os "donos" de partidos precisam de votos das populações, mas aí a população já está se esfriando; justamente porque se sente como "objeto" em uso. O Barbalhos sabem disso; os Sarneys sabem, os Calheiros sabem; os Bolsonaros já sabem; outros muitos sabem. Sabendo que o PT não tem mais as forças de outrora, e vendo PC do B, PV, PSD, PDT e outros nos cantinhos do governo Helder/Hanna, à espera de pequenos espaços no governo estadual, e buscando parte da extrema-direita (o bolsonarismo paraense), os articuladores de Helder Barbalho fazem questão de jogar o PT do Pará lá no ladinho dos escanteios da política.

Vai ter vaga de Vice-Governador(a) para o PT, no Pará? Pelo que sabemos, Helder Barbalho quer gente ligada ao agro, a igrejas evangélicas "neo", ao bolsonarismo, ou seja: ele quer o bolsonarismo para Vice, pois acha (o Helder barbalho acha) que os votos das "esquerdas" petistas terão que ser levados ao 15. Por "saber" disso, o filho de Jader Barbalho dá-se ao luxo de (tentar) sepultar o último dos grandes partidos (de verdade) do Pará... Claro que os Barbalhos estão jurando amores e lealdades a Lula da Silva, mas se Flávio Bolsonaro vencesse (se vencer etc.), eles fariam com a estrela vermelha o que já fizeram com a mesma, em 2016, no contexto do Golpe de Michel Temer e Cia: unir-se-iam a estes.

É aquela história, já conhecida: quem muito se abaixa (sejam os Faros, sejam outros), fica de calças curtas e com nádegas às mostras.