terça-feira, 23 de outubro de 2018

Michel Foucault esteve no Brasil, pela TORTURA E ASSASSINATO DO JORNALISTA WLADIMIR HERZOG, 25 de out. 1975: (CONDE RODRIGUES, 2016, p. 92-93)

Prof. Israel Araújo (editor; poemeiro@htmail.com)



(Wladimir Herzog)



Dias depois [de setembro de 1975], a emissora transmitiu um documentário sobre o chefe vietnamita Ho Chi Minh. A primeira reação não veio da censura oficial do regime, mas dos “cães de guarda” da imprensa(...).
Embora informado de que passa a passa a fazer parte de uma lista de suspeitos, Herzog continuou sua vida regular. No dia 24 de outubro, foram à emissora para prendê-lo. Pediu tempo para concluir um telejornal e se prontificou a comparecer ao Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) na manhã seguinte. E assim efetivamente procedeu para, segundo pensava, prestar esclarecimentos. Conforme registra Gaspari (2004, p. 174), “foi acareado com dois colegas. Negou que pertencesse ao PCB e ficou a sós com um interrogador em uma sala do andar térreo. Os dois colegas, em um corredor contíguo, ouviram seus gritos e a ordem para que fosse trazida a máquina de choques elétricos. Um rádio, em volume alto, abafava os sons. A certa altura, o noticiário informou que o generalíssimo Francisco Franco, Ditador da Espanha desde 1936, recebera a extrema-unção... No meio da tarde fez-se um grande silêncio na carceragem”.
Vlado, apelido pelo qual o jornalista era conhecido, estava moto. Segundo a Agência Oficial do Serviço Nacional de Informação (SNI), cometera suicídio. “Era o 38º suicida, o 18º a enforcar-se, dessa vez com uma ‘tira de pano’”, anota Gaspari (2004, p. 174). E prossegue, em um trecho que, em suas grandes linhas, poderia ter sido escrito por Foucault: “Horas depois da confirmação de sua morte, começou um daqueles processos em que reações individuais e desarticuladas desembocam em comportamentos que, sem coordenação ou planejamento, constroem os grandes fatos históricos(...). O medo era tanto que foi desafiado” (Gaspari, 2004, p. 176).
Na segunda-feira, 27 de outubro [de 1975], após o funeral do Vlado, irrompe uma greve na USP. Foucault suspende seu curso. Anos depois, descreverá os acontecimentos de 31 de outubro, nas exéquias de Herzog, às quais esteve presente(...).

Fonte: Heliana de Barros Conde Rodrigues. Ensaios sobre Michel Foucault no Brasil: presença, efeitos, ressonâncias. Rio de Janeiro: Lamparina editora, 2016.
OBS.: Helio Gaspari. A ditadura encurralada. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.


                                 P.S.:

Brasil é condenado por não investigar assassinato e tortura de Vladimir Herzog
Corte Interamericana de Direitos Humanos determinou que o Estado brasileiro apure, julgue e, se for o caso, puna os responsáveis pela morte do jornalista na ditadura militar

Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)condenou nesta quarta-feira o Estado brasileiro pela falta de investigação, julgamento e punição aos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog, ocorrido em 1975. O tribunal internacional também considerou o Estado como responsável pela violação ao direito à verdade e à integridade pessoal, em prejuízo dos familiares de Herzog.
A CIDH determinou que os fatos ocorridos contra Vladimir Herzog devem ser considerados como um crime de lesa-humanidade, conforme definido pelo direito internacional, diz a sentença.

Em 24 de outubro de 1975, Vladimir Herzog, então com 38 anos, funcionário da TV Cultura de São Paulo, apresentou-se voluntariamente para depor às autoridades militares no DOI/CODI, em São Paulo. Entretanto, foi privado de sua liberdade, interrogado, torturado e finalmente assassinado, em um contexto sistemático e generalizado de ataques contra a população civil considerada como opositora da ditadura brasileira, e em particular contra jornalistas e membros do Partido Comunista Brasileiro, segundo a ação.
 Link: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/04/politica/1530734238_207748.html (acesso em 23/10/2018)


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

ENTREVISTA: GRACILENE FERREIRA (SOCIÓLOGA): "Fake News são recursos excelentes para dominadores"

Prof. Israel Araújo (Editor; poemeiro@hotmail.com) 



(Professora Gracilene Ferreira; arquivo pessoal)


Os tempos atuais são emblemáticos, em termos de realidade brasileira. Retirada de uma Presidente da República, em 2016, sem Crime de Responsabilidade; condenação criminal de ex-Presidente brasileiro, sem que se provasse a materialidade dos (supostos) ilícitos penais; ataques a tiros à Caravana de um ex-Presidente, que fazia atos públicos Brasil afora (É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato, diz a Constituição Federal de 1988!); exclusão do processo eleitoral do candidato líder de todas as pesquisas, às portas das convenções partidárias (preso sem que houvesse o trânsito em julgado); desrespeito, pela Justiça Eleitoral Brasileira, de Decisão da ONU  (Organização das Nações Unidas); execução, com doze facadas, de mestre de capoeira, na Bahia, em virtude de o mesmo declarar opção eleitoral pelo candidato petista (Fernando Haddad), indicado por Lula da Silva; ataque a uma jornalista, com ameaça de estupro; ataque a uma jovem de 19 anos, em Porto Alegre (RS), com marcação no corpo, a ferro, de uma suástica (símbolo do Nazismo, de Hitler); agressões, por quase todo o Brasil, a homossexuais (feitas por apoiadores de um candidato a Presidente do Brasil, sendo essas na mesma linha discursiva, ideológica dele...).
Parece um cenário de filme de terror, mas são fatos reais, visíveis, são dados de uma realidade a qual muitos e muitos(as) de nós jamais desejaria. Mas, parece que a mesma já chegou; está entre nós.

Ante esse Preâmbulo, solicitamos Entrevista, via e-mail, à Professora Gracilene Ferreira, Socióloga formada pela UFPA e docente na Secretaria de Educação do Estado do Pará e na Prefeitura de Abaetetuba. O mote principal é o Fascismo se instalando ou se espraiando pelo Brasil; os visíveis riscos à Democracia, como ficam as sagradas sociabilidades, a luta de classes, a homofobia e outros temas. Confira:

Blog Poemeiro do Miri: Estamos vivendo os anos mais “preocupantes” de nossa história democrática recente, tempos de disseminação de ódio aos diferentes e de visíveis intolerâncias, segundo lemos muito nas redes sociais, atualmente? Como a Senhora vê esse cenário de ataques (mortes, ameaças de estupros, queima de livros de humanas na UnB...) e propagação de ódio no Brasil atual?

Profa. Gracilene Ferreira: É um cenário preocupante e até posso dizer desolador, visto que é perceptível a perseguição a livre expressão do pensamento, ... Estamos com nossos direitos civis, e políticos por um fio e o desolador é que Jovens, vem aderindo a essas ideologias, sem ao menos conhece-las. Ou conhecendo-as acreditam ser o melhor. Deus do Céu como pode isso? Quanto mais propagamos uma sociedade humanitária, mais se caminha em seu oposto.


Blog Poemeiro do Miri: A mim, posso lhe dizer, que não passava pela cabeça uma perspectiva de Brasil neo-nazista e/ou neo-fascista; nem vislumbrava um país onde tanto ódio ao Norte e ao Nordeste fosse destilado, sobretudo depois de 2014. A fuga aos debates, aos diálogos, no sentido de vivenciar a política de modo constante seria uma explicação para esse (possível) flagelo social?

Profa. Gracilene Ferreira: Com certeza quando não há dialogo sobra a intolerância, o desrespeito oriundo do descompromisso social e político de cada cidadão refletido em nossos representantes. Parece que estamos retroagindo na história, querendo de volta aquilo que nos sufocava que destruía a humanidade de cada individuo social. Estamos em tempo de supervalorização das tidas teorias dominante, supremacia branca, desvalorização daquilo que esta “fora do Padrão” - das minorias.


Blog Poemeiro do Miri: A senhora vê que há riscos para a nossa Democracia, no sentido de que práticas de higienização (tais como a indesejada teoria da “raça pura”, emblema do Nazismo) possam (poderiam) estar dando o tom de uma possível disseminação de posturas neo-nazistas e neo-fascistas em terras brasileiras (das quais aqueles exemplos acima poderiam dar provas)? Quais seriam os riscos para a nossa desejada convivência pacífica/democrática?

Profa. Gracilene Ferreira: Que há a disseminação de tais posturas isso é fato. Agora o perigo esta na defesa dessas ideologias por aqueles que nos governam podendo sim trazer para nosso país períodos obscuros onde o medo a dor estará presente em todos os aspeto da vida social. As minorias serão perseguida  (como já vislumbramos isso) quem pensa diferente terá que se esconder ou fazer isso na clandestinidade (início da historia dos partidos de esquerda no brasil) teremos o retorno ou reforço de papeis sociais discriminatórios ... enfim  corremos riscos de perder a nossa tão sonhada, lutada e defendida LIBERDADE PLENA.


Blog Poemeiro do Miri: A senhora vê o Brasil, uma década atrás, com essa tendência ao extremismo, verbalização de homofobia, como se fosse legítimo falar em “ter ódio de gay” e atacar lésbicas nas ruas e/ou ter postura similar? Em sentido mais amplo, como a Senhora vê a presença (ou o contrário disso...) da escola pública nesse processo educativo?

Profa. Gracilene Ferreira: A escola além de ser um espaço institucional de educação ou melhor de escolarização, ela é o palco de conflitos da vivências do diferente, onde se busca a convivência pacífica e a valorização e respeito pela diversidade. Venho vivendo nessa ultima década em contado com os diversos níveis de ensino e posso perceber que a escola vem se esforçando para ajudar a formar cidadão de bem que respeitem as diferenças sejam tolerantes... Nessa última década vimos na verdade um processo de luta pela superação da violência de conquistas de direitos, mas que vem incomodando grupos sociais que tem valores hegemonizados como se fossem os únicos e verdadeiro valores que todos devem seguir...


Blog Poemeiro do Miri: Na base dessas questões ou na tentativa de as explicar, estaria a luta de classes (ou até o ódio das elites, como muitos dizem, às classes menos favorecidas), com ou sem vinculação com os extremismos políticos que vemos mundo afora? Se sim, como a Senhora vê, em perspectiva, o nosso cenário pós-eleições para Presidente, em 2018?

Profa. Gracilene Ferreira: Com certeza, como frisei anteriormente. Há uma classe dominante que quando se ver correr riscos usa de discursos ideológicos e de recursos midiáticos para disseminar seus interesses como se fosse de interesse da maioria social. Buscam enganar a classe trabalhadora os menos favorecidos, usando-os para alcançar seus objetivos de classe. Por isso a necessidade do diálogo politico e do empoderamento dos menos favorecido. Pobreza não pode ser sinônimo de falta de conhecimento.se não continuaremos manipuláveis votando de acordo com o que as elites querem pra manter o status co. Se as pesquisas forem confirmadas na urna teremos tempo duro de autoritarismo politico, ampliação de valores neoliberais e retração do desenvolvimento social. Entre tantas outras mazelas à vista.


Blog Poemeiro do Miri: As chamadas “fake news” (notícias falsas, muito espalhadas atualmente via Facebook e em grupos de WhatsApp) mantém que tipo de relação com uma indesejada (creio eu) cultura de ódio a se espraiar Brasil afora?

Profa. Gracilene Ferreira: As Fake News são recursos excelentes para nossos dominadores. Visto que a massa tem acesso a meios de comunicação e buscam informações desconectadas sem confirmar fontes... Por isso ela hoje é um instrumento de tortura usada para instigar um ódio e dividir o Brasil. Reforçando teorias racistas, sexistas e homofóbicas ...e um falso moralismo extremo.

  
Blog Poemeiro do Miri: O Fascismo, por princípio, tem a ver com ódio, com a recusa a aceitarmos o Diferente? Sendo possível pensar assim e sendo o Brasil majoritariamente cristão e heterossexual, como a Senhora vislumbra a manutenção (e as lutas permanentes por conquistas) de dignidade e de afirmação de Direitos Humanos às populações negra e LGBT?

Profa. Gracilene Ferreira: Manter direitos conquistados vem sendo difícil no Brasil nos últimos anos, mas isso ficará ainda pior para aqueles que já tem historicamente seus direito expropriados. As populações negra e LGBT terão que esta bem mais organizadas e ficar na resistência, porque o que vejo é a perspectiva de perseguição e criminalização desses movimentos desta forma resistir será uma questão de sobrevivência.


Blog Poemeiro do Miri: Um provável Governo Bolsonaro (de extrema direita, de forte viés liberal na Economia e neoliberal na Educação), capitaneado por ele, teria, a seu ver, condições de liderar um processo de pacificação do Brasil (se aceitarmos que o mesmo apresenta visível divisão em vários aspectos), capaz de trabalhar a superação dessa cultura do ódio, em especial às populações negra e LGBT? Por quê?

Profa. Gracilene Ferreira: A Partir da Postura do então candidato a presidente Bolsonaro, durante sua atuação politica, fico muito apreensiva com ele na presidência, pois o Brasil é um país construído na égide da diversidade, que vem tentando superar preconceitos históricos e ainda esta muito longe de conseguir isso. Por isso receio hoje por uma possível Guerra civil, pela aumento do extermínio de pessoas negras, pela radicalização da homofobia... Pela liberação das armas, não faz sentido liberar acesso a armas se eu não tenho uma população tolerante.
Mas existe uma Frase que ouvi de um professor em um período eleitoral “cada povo tem o governo que merece” e muitos de nós ainda não sabemos escolher, por isso nós nos tornamos vitimas do nosso maior poder O VOTO.


Blog Poemeiro do Miri: Muito obrigado; suas Considerações Finais.

Profa. Gracilene Ferreira: Poder exercer nossos direitos de cidadão hoje no Brasil não é presente de governante. E resultado da luta popular, de muita gente que morreu eletrocutado em câmaras de tortura, de muita gente violentados  extirpada de sua dignidade por um ideal comum. Poder nos expressar hoje é um direito garantido constitucionalmente graças a aqueles que nos antecederam. Desta forma se faz necessário compreendermos a historia para decidirmos nosso futuro. O meu voto não vai mudar apenas a minha vida, mas a vida de uma nação de classes diferentes de tons de pele diferentes de posição social diferente mas que precisa viver harmonicamente com seus direitos garantidos e respeitados.


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

VICE-REITOR DA UFPA (PROF. GILMAR) VISITARÁ IGARAPÉ-MIRI, NESTE 20/10 (SÁBADO), EM PLENÁRIA SOBRE EDUCAÇÃO


Prof. Israel Araújo (editor) 


A comunidade igarapemiriense receberá, neste sábado 20/10, o Prof. Dr. GILMAR PEREIRA DA SILVA, Vice-Reitor da Universidade Federal do Pará, ocasião em que participará de um Café temático sobre os rumos da educação pública no Brasil, que acontecerá (das 8h às 10:30h) no Chalé do Professor Glaybe Pimentel, Bairro Centro, Igarapé-Miri/PA (ao lado da Padaria do Bolão).
A atividade faz parte de um evento comemorativo ao dia dos Professores(as) e tem a Coordenação de um Coletivo de professores(as), lideranças comunitárias, dirigentes de sindicatos, juventude, dirigentes de partidos políticos, ONG’s, entre outros; será tratado acerca dos principais desafios da Educação pública no Brasil diante do atual contexto político/eleitoral.

A presença de todos e de todas é fundamental, não somente de professores(as) e de demais profissionais da Educação. Os pais e responsáveis de alunos, jovens, lideranças comunitárias e outros são esperados para debater a atual conjuntura social/educacional e, ainda, as perspectivas apresentadas pelos presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).


CURRÍCULO: Gilmar Pereira possui Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2005); Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2002); Especialização em História da Amazônia pela Universidade Federal do Pará (1993) e Graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Pará (1992). Atualmente é Professor Associado III e Vice-Reitor da Universidade Federal do Pará.

A presença do Professor Gilmar deve ajudar a esclarecer muitas dúvidas de professores e estudantes sobre os riscos e ameaças ao ensino público no Brasil diante do processo eleitoral deste 2018.

Participe!







segunda-feira, 8 de outubro de 2018

ELEIÇÃO DO ATRASO? JADER BARBALHO ([P]MDB) E ZEQUINHA MARINHO (PSC) FAZEM DOBRADINHA DA DESESPERANÇA, NO PARÁ DE 2018


Opinião: Prof. Israel Fonseca Araújo (editor) 


(O Senador Jader Barbalho, líder de uma família que tem super-estrutura de jornais, RBA TV, sites, retransmite a TV Bandeirantes, entre outros meios de se fazer política)


PRIMEIRO, O CAOS...

1. As eleições de 2018, no Pará, deram uma prova do atraso, do processo de “se afundar” no sentido da vida pública e da re-conquista da Democracia (a partir do processo de escolha de representantes do Povo, por meio do voto, das eleições; estas (essas disputas, esse processo de guerras entre pessoas e lideranças, às vezes por meio muita trapaça e muitas traições) acontecem a cada dois anos (Prefeito e Vereador, numa, Presidente, Senador, Governador, deputados federal e estadual/distrital, na outra).

2. A título de exemplo desse atraso e desse “afundar-se” para porões de uma vida nada democrática, que já deveria ter sido sepultada pelos idos de 1985, destaque-se que os representantes maiores do Fascismo, no Brasil, elegeram mais de 50 (cinquenta) deputados federais no dia de ontem (07.10.2018). Serão mais de 50 deputados atuando em Brasília, com direito a votos e muito poder de barganha (cargos, muitos assessores, jantares com governantes, “diálogos” com empreiteiras etc.). É prudente supor que eles e elas estarão no centro do ataque às minorias, ao diferente, às políticas públicas com forte mão do Estado (Saúde, Seguridade Social, Aposentadorias, Cultura, Esporte e Lazer, citados uns somente), que serão líderes do ataque focado na educação básica pública e, especialmente, pra cima das universidades públicas: tais deputados(as) do PSL, partido “de Bolsonaro”, terão apoio incondicional dos seus aliados do DEM (de Rodrigo Maia, reeleito no Rio), de Hélio Leite no Pará; do PP (inesquecível de Paulo Maluf); do PRB (quem se esquece de Igreja “não sei o que lá” do Reino de Deus [Gabriel, o Pensador], do PSD (de Éder Mauro, no Pará) e de coisas mais inomináveis, como o Podemos (PODE).

3. Nas Assembleias Legislativas (os parlamentos estaduais), também foram escolhidos muitos líderes políticos que devem trabalhar contra o povo mais pobre deste País. Caso do estado do Pará (uma imensa listagem de golpistas, aliados de Simão Jatene e Jader, foi definida; trata-se de um horizonte perturbador para a classe trabalhadora; será que a Hydro tá “bem na foto”?), de São Paulo (a Janaína Paschoal [advogada que escreveu a Peça usada pelo PSDB para retirar uma Presidenta honesta do cargo, com apoio decisivo de Eduardo Cunha, Aécio Neves, de Temer e grande elenco], do PSL, foi eleita com a maior votação da história desse parlamento: mais dois milhões de votos...), sangramento esse que segue Brasil afora. Um cenário de horror.

4. O caso do Senado Federal (Senadores podem destituir Presidente... basta um acordo lá por cima, “com o Supremo [Tribunal Federal], com tudo”) é muito mais grave (ver o item seguinte, sobre a tragédia paraense): no Rio de Janeiro, um filho de Bolsonaro (Flávio Bolsonaro), visto pela crítica como exatamente racista fascista, homofóbico e violento como o pai (dele, Jair), se elegeu, com imensa votação (foram: 4.380.418 votos ou 31,36% dos votos válidos); no Distrito Federal, o pai da Lei da Mordaça (o “Escola sem partido”), dep. Izalci (PSDB) se elegeu Senador, juntamente com a Leila “do vôlei”; em São Paulo, Paraná e Minas Gerais as perdas são de parir lágrimas democráticas: Eduardo Suplicy foi jogado para quarto lugar, assim como Roberto Requião (menor Senador do PMDB de todo o Brasil) também perdeu e Dilma Rousseff levou um golpe (em termos de táticas) dos golpistas do PSDB e PMDB [eles dizem MDB kkk): por honestidade, Dilma não permitiu alianças com os golpistas do MDB (opas, é PMDB!), mas estes deram o troco: Aécio Neves e Michel Temer construíram táticas para inviabilizar o governo petista mineiro de Fernando Pimentel; isso abriu meios para a não-vitória de Dilma. É, sem dúvida, a maior perda democrática destas Eleições. Mas, vejamos o caso do estado do Pará...


DEPOIS, MAIS CAOS: JADER E ZEQUINHO NO PARÁ

5. Jader Barbalho (que só usa o nome “Jader”, pois Barbalho espanta votos) já foi governador do Pará por duas vezes (perdeu uma disputa, em 1994, para o coronel Almir Gabriel), foi Ministro de Estado em governos contrários aos interesses dos pobres, deputado federal e está como Senador da República. E, sendo um dos piores homens públicos do Pará, pasmem: se reelegeu Senador da República, ontem (mais de um milhão e trezentos mil votos; exatos: 1.383.306). Em 2010, ele ficou em segundo lugar (atrás de Flexa Ribeiro/PSDB) e, agora, ficou em primeiríssimo, com Zequinha (PSC) logo atrás. Depois, trazemos Zequinha. Voltemos ao Jader.

6. Considerado disparadamente um dos piores políticos do Pará e um dos piores senadores do Brasil, Jader fez uma campanha perfeita, tática perfeita. Barbalhão (chamemos assim, pois é um mega patriarca, coronel velho, dono de terras, gentes, emissoras e devotos) construiu uma tática de guerra perfeita: se juntou a uma grande liderança evangélica (cacique dos grandes, dono de milhares de votos de cabresto), o Sr. Zequinha Marinho (que era deputado federal, saiu, pôs a esposa Júlia Marinho para receber seus votos e se tornou Vice-Governador junto de, hum, quem?, quem mesmo??? R: Simão Jatene, a mais perfeita cria de Jader Barbalho; em 2014, Zequinha ajudou Jatene a derrotar Helder Barbalho (para o governo estadual), somente chamado de Helder; você já entendeu o motivo!)). Mar, amores vem e amores se vão: Zequinha, agora, deu rasteira em Jatene e se juntou ao considerado Jader/Helder Barbalho, se lançou casadamente com Barbalhão candidato ao Senado e (deixe de ser incrédulo) se elegeu em segundo lugar (à frente do Golpista Flexa Ribeiro, candidato de Jatene, que pegou rasteira...) para o Senado (a esposa de Zequinha, desta vez, não se elegeu; conseguiu somente 75.334 votos): foram mais de um milhão e trezentos mil votos (exatos: 1.374.956 votos) no atual Vice-Governador.

7. Ou seja, a cartada de Barbalhão foi certeira. Sua ex-mulher, que usa o nome Elcione (você já entendeu o motivo!), foi reeleita, Priante (espécie de agregado político) também foi eleito (Mas a Simone Morgado não se reelegeu, uma baixa no time, mesmo tendo 57.640 votos: teria o cargo que quisesse num eventual governo de Helder/) e seu filho (de Jader/Jader/Zequinha/Lúcia Vale), Helder, está favorito para conquistar o governo do Pará, na disputa de segundo turno (não ganhou em 2014, você se lembra) diante do escolhido de Jatene, o atual deputado Márcio Miranda, do DEM (o DEM, você já conhece), de Rodrigo Maia e Cia. Votos casados para o Senado e Flexa carregando o peso que é Jatene nas costas levaram Jader e Zequinha à vitória. O Jader que, vocês bem conhecem, é o considerado da política do Pará, chamado de “político velho”, homem que tem uma carga histórica muito feia (durante seus governos, abundam as mortes no campo, perdas de vidas de trabalhadores e trabalhadoras rurais, sobretudo). Jader tem se dado ao luxo de nem trabalhar em Brasília, de custar tão caro quanto Bolsonaro (no sentido de receber toda aquela grana parlamentar, mas não trazerem resultados para o povo de seus estados, nem para a Nação), de ser um dos campeões de ausências ao Plenário (lugar legítimo de atuação, de trabalho parlamentar!): Barbalhão sabe que (a maioria de) nosso povo não tá nem aí para político que trabalhe, que seja íntegro, honesto e que defenda os interesses da classe trabalhadora, do povo mais pobre.

8. Assim, Barbalhão segue sua saga de vitórias contra o povo. Mas, para não ser injusto com ninguém, tenho de mostrar como Jader trabalha (táticas): o pai de Helder Barbalho pertence ao PMD, sem o “P”. Faz parte de um partido fisiológico, integra um grupo de lideranças estaduais que fecham acordos com o Presidente que esteja no Plantão. Assim, gozam de entrada franca em Ministérios, Secretarias, Diretorias, nomeiam políticos de sua confiança (técnicos, também, mais raramente), participam de jantares, andam com prefeitos, deputados e assessores às pencas (andam por esses Ministérios, Secretarias, Diretorias...) à caça de liberações para municípios, conseguem farta votação de eleitores como os do Pará (e do Maranhão, Alagoas, Rio...), elegem número grande de Prefeituras, o que lhes dá forças junto aos candidatos à Presidência, se tornando integrantes do Governo Federal que assumir (de José Sarnei até Dilma/Temer), depois disputam prefeituras e câmaras municipais (viu?, um círculo, não é?) e, depois, tentam suas vagas para o Senado, Câmara Federal, parlamentos estaduais e governos de estado (viu?, um círculo, não é?).

9. No meio disso tudo (não tem relação com o poema da “pedra”, de Drummond), fazem amores eleitorais e religiosos com lideranças de igrejas de toda sorte (ditas cristãs, entendamos); com apoio de falsos pastores, de empresários da Fé, de não-cristão vestidos em roupas atraentes, de outras coisas (pessoas, entendamos) para, finalmente, fazerem-se deputados, senadores e governadores (prefeitos e vereadores vem depois).

10. No meio disso tudo, fica o povo de cada estado, mas, isso (estes, entendamos), é outra coisa, é meio, não é fim. Zequinha Marinho passa bem.


MAS, ALÉM DISSO, A ESPERANÇA...

11. Estamos dizendo que o Povo é soberano, isso você já entendeu. Se o Pará tem ao menos 14 deputados(as) federais golpistas, que ajudaram Michel Temer, Eduardo Cunha e Aécio Neves a afastar uma Presidente honesta, que não cometeu Crime de Responsabilidade (seria a possibilidade democrática de cassar o mandato de Presidente, nos termos da Constituição Federal vigente), se Edmilson Rodrigues (PSOL), Zé Geraldo (PT) e Beto Faro (PT) são exceções, isso significa que este Povo tinha, ontem, a oportunidade de retirar esses(as) 14 (catorze) e buscar outros 14. De um lado, milhares de eleitores mantiveram Edmilson Rodrigues e Beto Faro por mais 4 anos (2019 até 2021), substituíram Zé Geraldo por Airton Faleiro (PT), mas, acreditem, não trocaram os catorze (quando substituíram uns foi por outros de mesma linha). Zé Geraldo concorreu ao Senado, não sendo eleito, você já sabe.

12. Parece uma situação insustentável, não? Como imaginar, em um país que se quer forte, que uma parte da população votaria contra os interesses da classe trabalhadora e que daria mandatos para lideranças políticas que prejudicarão os serviços de Educação, Saúde, Segurança, Cultura, Esporte e Lazer (p. ex.)? No caso de Belém do Pará, p. ex., a maioria dos eleitores(as), que é formada por pessoas pobres e que já viram um mandato popular (de Edmilson Rodrigues, 1997-2004), votou (ontem) contra os interesses do povo mais pobre: deu voto de confiança para um Projeto de país de base nazi-fascista, de incentivo à violência e de pregação/disseminação do ódio contra mulheres, negros, população LGBT e outros. Esse é um perfil de eleitor(a) que, possivelmente, é peculiar do Brasil, o que bem ajuda a entender por que Jader Barbalho está há tantos anos fazendo o dele na nossa vida pública.

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Era preciso mais e mais dizer, mas já tá bom por hoje.



* ISRAEL FONSECA ARAÚJO, Mestre em Letras pela UFPA, é professor, blogueiro, poeta, cronista e responsável pela "TV" no You Tube PALAVRA ABERTA (Link: https://www.youtube.com/channel/UCNqeiei6B7v79A1s8WsaDuA?view_as=subscriber)

sábado, 6 de outubro de 2018

Entrevista: Prof. Antonio Marcos Ferreira (Filósofo) fala sobre Política, ódio, nazi-fascismo, #EleNão e mídia: "quem aponta os rumos dos temas a serem explorados é a mídia"

Prof. Israel Araújo (editor)
poemeiro@hotmail.com


(Prof. Antonio Marcos. Foto: Arquivo pessoal)

O BLOG POEMEIRO DO MIRI pediu, via e-mail,  Entrevista ao Professor e Filósofo Antonio Marcos Quaresma Ferreira, que atualmente cursa Mestrado em Estado, Governo e Sociedade. Trabalhando na docência na Seduc-PA, o professor Antonio Marcos atua também no Incam (Instituto Caboclo da Amazônia), na Rádio Comunitária Natureza FM (em Igarapé-Miri, PA: freq. 87,9 mhz) e é o atual Presidente da Academia Igarapemiriense de Letras (AIL), entre outras frentes de atuação.
Na seguinte Entrevista, ele trata, p. ex., de problemáticas de nosso tempo, em especial sobre Eleições, Democracia, diálogo, "fake news", "EleNão", poder do discurso e atuação da grande mídia. CONFIRA:



ENTREVISTA: ANTONIO MARCOS FERREIRA

Blog Poemeiro do Miri: Prof. Antonio Marcos, estamos vivendo, nestes últimos meses (sobretudo nas últimas semanas) um acirramento das disputas políticas. Nesse cenário, o discurso (pronunciamentos, posicionamentos/saber o que pensam essas lideranças políticas etc.) deveria ocupar um lugar central, para que a população se torne cada vez mais esclarecida, informada, sabendo dos projetos e programas dos Candidatos(as).
Na sua opinião, é isso mesmo que está acontecendo, ou não? Ou, enfim, como o sr. vê essa realidade? São debates de propostas ou é de outra coisa que estamos tratando nestas eleições para a Presidência do Brasil?
Prof. Antonio Marcos: É uma pergunta muito interessante pois nos faz refletir exatamente sobre o contexto de massificação e padronização que prevalece nos tempos atuais, ou seja quem aponta os rumos dos temas a serem explorados é a mídia. A grande intenção é vender um produto, isto é, a partir de uma lógica de mercado. Nesse sentido a política também entra no jogo. A emissora de televisão, por exemplo, explora aquilo que pode ser facilmente “comercializado” e promove o espetáculo de acordo com interesses de quem as patrocina ou melhor associa-se a suas perspectivas. Não parece nada “comercial” tratar sobre programas de governo, pode parecer técnico demais. Por isso a seleção de conteúdos, imagens e a preferência por questões mais apelativas, isto é, aquilo que “vende” com maior facilidade. Grande parte dos candidatos também esquecem as propostas e partem para apelações que nesse contexto ganhariam maior evidência. O que para um processo político é prejudicial, já que rouba a cena do debate realmente necessário.  

Blog Poemeiro do Miri: Tendo em vista que o sr., atualmente, faz Mestrado em Estado, Governo e Sociedade e que tem formação em Filosofia (que é estudioso da Ética, da participação popular e da política), como o sr. vê essa relação (ética, política e participação) ou, de outra forma, é possível falar que o campo da ética é um campo visível nestas eleições? Ou o problema maior é, justamente, um modus de apagamento da ética na política?

Prof. Antonio Marcos: Entendo que o debate da ética pode muito bem ser atrelado a questão da justiça social. Aristóteles defendia que a política é uma extensão do indivíduo, de modo que um sujeito sendo um péssimo exemplo do ponto de vista da vida particular não será boa referência para a vida pública. É muito provável que a vida pública sirva para desmascarar sujeitos que na vida privada sempre foram cidadãos ruins. No contexto eleitoral, por exemplo, é possível perceber muito bem essas questões, onde figuras facilmente identificadas como exemplos negativos do ponto de vista da ética, apresentam-se como “salvadores” e defensores de uma “nova política”, ou que vão combater a corrupção, mas se formos olhar seus modos de fazer campanha, veremos imensa contradição, com práticas irregulares, compra de votos etc, e tal. É preciso questionar: Que propostas realmente defendem? As propostas condizem com suas práticas/experiências (seja dentro da associação, sindicato, igreja, escola)? de onde vem os recursos de suas campanhas? Quem os patrocina? qual será o custo ao final da sua campanha? Enfim é preciso questionar, relacionar os discursos e práticas.

Blog Poemeiro do Miri: Professor, muitos estudiosos da política falam, nestes dias, de uma disseminação do ódio entre as pessoas, entre as classes. Há uma fala muito sedimentada acerca de um neofascismo, um neonazismo, que estariam muito bem enraizados e ainda crescendo, no seio da sociedade brasileira. Fala-se muito na candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL) como sendo um motor nessa disseminação do ódio (bem lembramos de suas falas sobre negros serem pesados em “arrobas”, sobre estupro em relação à deputada petista-gaúcha Maria do Rosário, sobre as mulheres receberem menores salários do que os homens etc.). Na sua percepção, o que temos de consistente nessas análises sobre o (neo)fascismo e o (neo)nazismo?

Prof. Antonio Marcos: Tanto o nazismo como o fascismo foram modelos que distorceram o verdadeiro sentido da política, defendendo os privilégios de uns em detrimento da violência contra outros considerados inferiores.  Para nazi-fascismo aquele que não possui o mesmo nível social, classe ou cor, por exemplo, deve ser ignorado do ponto de vista da importância social, deve inclusive ser eliminado. Para eles não seria possível conviver com o diferente. É o que se percebe no comportamento do candidato Bolsonaro que não admite ver a empregada (o) doméstica sendo tratado com dignidade, por sem uma afronta aos privilégios de grupos. Não admite a mobilidade social e prega todo tipo de ódio ao diferente. Certamente vê no outro uma ameaça, por isso propõe eliminá-lo.

Blog Poemeiro do Miri: Prof. Antonio Marcos, dito de outra maneira, o que seriam neonazismo e neofascismo? Senhor avalia que nosso povo não tá despertado, ainda, para essa questão?
Prof. Antonio Marcos: Tratam-se de “movimentos” perversos que “ressuscitam” para os tempos atuais a ideia de violência e preconceito, assim como a necessidade de destruição do outro. O que importante para eles é pôr fim a dignidade humana de “classes inferiores” e minorias, tudo em nome de uma falsa paz (que inclusive atrai apoio de setores conservadores da sociedade), defendem a guerra contra o ser humano que é diferente ou que pensa diferente. Percebe-se que a falta de atenção para o perigo desses movimentos, sobretudo em tempos de campanha eleitoral.  

Blog Poemeiro do Miri: E sobre os chamados “fake news”, professor Antonio Marcos, o que o senhor tem a dizer? Esses dias, milhares de pessoas denunciaram (atribuíram a...) que defensores de Jair Bolsonaro estariam produzindo milhares de notícias falsas (fakes) para difamar, desmoralizar o candidato petista Fernando Haddad: o alvo seriam grupos de “zap-zap”, de igrejas evangélicas, sobretudo neopentecostais, grupos focados no público feminino-evangélico e outros mais notadamente (ou, em tese) anti-petistas... Ao sr. parece um fenômeno social bem novo no Brasil, capaz de gerar uma preocupação (inter)nacional, a ponto de o Presidente do TSE (instância máxima da Justiça Eleitoral) ter dito, meses atrás, que “fake News podem anular uma eleição”?

Prof. Antonio Marcos: É uma questão assustadora, atitudes criminosas, feitas por “profissionais” para fazer parecer verdade uma informação falsa.  Realmente as redes sociais apresentam-se como ferramentas com dependendo de quem as usa ou para o que se usa, pode ser favorável ou prejudicial. Percebo que a justiça está um pouco perdida nesse aspecto, não conseguindo punir ou frear um “recurso” que pode ser determinante para o processo eleitoral. A quantidade de notícias falsas expondo supostas imagens ou conteúdos associados ao candidato Fernando Haddad e a sua vice Manuela D’Avila realmente assusta, resta saber se esses crimes são praticados de maneira individualizada ou estão alinhadas a um projeto de marketing eleitoral do candidato opositor. Embora com todos os esforços no sentido de esclarecer os boatos, não conseguem acompanhar a velocidades de prejuízos desses crimes ou corrigir os estragos causados. Até justificar para uns, centenas e milhares já levaram a informação adiante. Estamos vivendo um período de grande ameaça à democracia, e os fack News parecem ser a grande arma do principal do antipetismo.  

Blog Poemeiro do Miri: Professor, e essa participação das mulheres, as mobilizações em redes sociais, a produção (surgimento) do enunciado #EleNão, os atos de rua, a luta por trabalho, emprego, creches, lazer, respeito à diversidade...? É uma espécie de “Primavera Árabe”? Esse ineditismo e essa resistência, enfim: como o sr. analisa essa problemática toda, inscrita e constituidora do político/eleitoral nestas disputas de 2018 (sabendo-se, podemos supor, que mantém estreita vinculação com a deposição de uma presidenta da República, em 2016, internacionalmente interpretado como Golpe de estado...)?

Prof. Antonio Marcos: Percebo nessas mobilizações populares, grandes iniciativas de resistência que ultrapassam os limites dessa ou daquela candidatura. Ainda que pareçam atividades de apoio à este ou aquele candidato, a coisa é muito mais ampla. Há um esforço coletivo de diversos segmentos da sociedade brasileira, reunindo no caso do # Ele Não, centenas e milhares de mulheres que há décadas vem lutando por respeito e dignidade. São clamores que ecoam pelo país inteiro em defesa da democracia e da preservação de direitos. O que se justifica pela visível ameaça à democracia (experimentada desde o golpe que retirou a presidenta Dilma Roussef da presidência em 2015), diante do discurso de ódio e retrocesso do candidato Jair Bolsonaro, explicito representante da extrema direita no país.


Blog Poemeiro do Miri: Obrigado, professor.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Antes do Voto: Conheça PROPOSTAS DE CANDIDATOS(AS) à Presidência da República 2018

Prof. Israel Araújo (poemeiro@hotmail.com)


(Google.com)


As Eleições de 2018 estão dando bem mais do que falar do que se falava e se imaginava, de fato. Se é verdade que há muito desinteresse pelo voto (o que é uma boa besteira, aliás, uma insanidade), mas também é certo que os tensionamentos, as violências, os bons debates (com poucas apresentações de Propostas), as "entrevistas" televisivas que são, de fato, guerras de emissoras contra certos Candidatos(as), os ataques pessoas, as táticas e tudo o mais estão em jogo. Sempre estão, não é mesmo? Mas, nestes tempos, o nível tá muito baixado...

Dada a importância indiscutível deste momento, dada a necessidade (penso eu) de entender mais (continuar entendendo mais) o Golpismo (as táticas, estratégias, metas, desejos do Golpe Líquido em curso no Brasil, desde 2013, pelo menos, mas, acima de tudo, depois de 2016...), dada a nossa atual muito preocupante conjuntura, resolvi compartilhar (de uma empresa séria, respeitada, renomada, a BBC) boa parte das PROPOSTAS dos principais Candidatos/as destas Eleições 2018.

Seguem as PROPOSTAS DOS SEGUINTES CANDIDATOS/AS [selecionamos os Candidatos/as de partidos mais expressivos nacionalmente, e/ou Candidatos/as mais bem colocados em pesquisas; listamos temáticas que são (ou seriam, a ser ver, amigo/a) fundamentais para a nossa Formação intelectual, sindical; a lista completa está nesse citado site].
Neste post, recortamos as áreas sociais (por isso, e por minha atuação profissional, a Ênfase para a Educação, Saúde, Políticas Sociais e Direitos Humanos). Seguem em ordem alfabética: (Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45215784)


1 EDUCAÇÃO E SAÚDE

CIRO GOMES (PDT)
·         Eliminar o subfinanciamento da educação e da saúde causado pela emenda do teto de gastos.
·         Implantar creches de tempo integral para crianças de 0 a 3 anos, em parceria com as Prefeituras.
·         Criar Escolas Profissionalizantes de Tempo Integral, com Ensino Médio integrado ao Ensino Técnico. As primeiras unidades serão criadas em bairros carentes de grandes cidades e as profissões do Ensino Técnico serão selecionadas de acordo com o mercado de trabalho e necessidades de cada região.
·         Elevar a média de anos de estudo da população, criando um programa de redução da evasão no Ensino Médio, premiando as escolas em que a evasão for reduzida e o desempenho dos alunos melhorado.
·         Nas universidades públicas, ampliar a oferta de vagas, prosseguir com as políticas de cotas, estreitar laços com políticas e ações no campo da ciência, tecnologia e inovação.
·         Fortalecer o CNPq e suas instituições de pesquisa. Estimular a produção de conhecimento aplicado ao desenvolvimento tecnológico e associado entre empresas e universidades.
·         Reduzir a espera para atendimentos ambulatoriais, consultas especializadas, realização de exames, cirurgias eletivas.
·         Investir em campanhas de prevenção e de vacinação e na formação de médicos generalistas.
·         Ampliar o acesso a serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e resíduos sólidos.

FERNANDO HADDAD (PT)

·         Revogar a emenda do teto de gastos. Retomar os recursos dos royalties do petróleo e do Fundo Social do Pré-Sal para saúde e educação.
·         Expandir as matrículas no Ensino Superior e nos ensinos técnico e profissional.
·         Priorizar o Ensino Médio. Nesse quesito, criar o Programa Ensino Médio Federal, ampliando a participação da União nesse nível de ensino — algumas das propostas são fazer convênio com Estados para assumir escolas situadas em regiões de alta vulnerabilidade e criar um programa de permanência para jovens em situação de pobreza. Além disso, revogar a reforma do Ensino Médio do governo Michel Temer.
·         Realizar anualmente uma Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docente na rede pública de educação básica.
·         Em contraponto à Escola Sem Partido, criar a Escola com Ciência e Cultura, para valorizar a diversidade.
·         Criar Rede de Especialidades Multiprofissional (REM), em parceria com Estados e municípios, com polos em cada região de saúde.
·         Investir na implantação do prontuário eletrônico, que reúne o histórico de atendimento de saúde dos pacientes no SUS.
·         Implementar um Plano Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável.


GERALDO ALCKMIN (PSDB)
·         Dar prioridade à primeira infância. Zerar fila das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. Ampliar as vagas em creches.
·         Investir na formação e qualificação dos professores.
·         Crescer 50 pontos em 8 anos no Pisa, exame internacional de avaliação do Ensino Médio.
·         Fortalecer o ensino técnico e tecnológico.
·         Estimular parcerias entre universidades, empresas e empreendedores.
·         Ampliar o Programa Saúde da Família e incorporar a ele mais especialidades.
·         Implantar um cadastro único de todos os usuários do SUS e criar um prontuário eletrônico com o histórico médico de cada paciente.
·         Fomentar ações voltadas à prevenção da gravidez precoce e apoio integral no caso de gestação.


GHILHERME BOULOS (Psol)

·         Convocar um plebiscito popular para reverter a emenda do teto de gastos. Em seguida, ampliar o investimento em educação.
·         Criar o Sistema Nacional de Educação, com a função de coordenar o direcionamento de recursos públicos, em conjunto com governos estaduais e municipais, escolas públicas e sociedade civil.
·         Valorizar os professores, com melhor formação e salários.
·         Criar creches em tempo integral para mães que trabalham e estudam.
·         Retomar o crescimento do ensino superior, com investimento nas universidades públicas e nos Institutos Federais. Criar um milhão de vagas nas universidades públicas com o dinheiro do imposto sobre lucros e dividendos.
·         Retomar os investimentos na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (Capes), no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e nas universidades e Institutos Federais.
·         Aumentar o financiamento federal na saúde para 3% do PIB. Para isso, revogar a emenda do teto de gastos, reverter progressivamente a renúncia tributária com planos de saúde, implementar o ressarcimento dos planos de saúde ao SUS com cobrança das dívidas.
·         Expandir e fortalecer a rede pública na atenção primária, secundária e terciária e na entrega de medicamentos gratuitos subsidiados.
·         Estabelecer um teto de espera a consultas e procedimentos na atenção especializada.

JAIR BOLSONARO (PSL)

·         Não admitir ideologia de gênero nas escolas. “Nós precisamos de um presidente que trate com consideração criança em sala de aula, não admitindo ideologia de gênero, impondo a Escola Sem Partido". Defende educação "sem doutrinação e sexualização precoce".
·         Propor a diminuição do percentual de vagas para cotas raciais. Defende cota social.
·         Ampliar o número de escolas militares, fechando parcerias com as redes municipal e estadual. Em dois anos, ter um colégio militar em cada capital. Fazer o maior colégio militar do país em São Paulo, no Campo de Marte.
·         Defende a adoção da educação à distância no Ensino Fundamental, Médio e universitário, com aulas presenciais em provas ou aulas práticas, o que “ajuda a combater o marxismo".
·         Criar um Prontuário Eletrônico Nacional Interligado. Os postos, ambulatórios e hospitais devem ser informatizados com todos os dados do atendimento.
·         Para combater a mortalidade infantil, defende a melhoria do saneamento básico e a adoção de medidas preventivas de saúde para reduzir o número de prematuros — entre elas, estabelecer nos programas neonatais a visita ao dentista pelas gestantes.
·         Criar a carreira de Médico de Estado, para atender áreas remotas e carentes do Brasil.
·         Profissionais do Mais Médicos só poderão atuar se aprovados no Revalida: "Nossos irmãos cubanos serão libertados”.
·         Incluir profissionais de educação física no programa de Saúde da Família, para combater sedentarismo, obesidade e suas consequências.


MARINA SILVA (REDE)
·         Instituir a Política Nacional Integrada para a Primeira Infância. Ampliar a oferta de creches para crianças de 0 a 3 anos, dos atuais 30% para 50%, e universalizar a educação infantil na faixa etária de 4 a 5 anos.
·         Valorizar os professores, com ações voltadas ao aprimoramento da formação pedagógica e dos planos de carreira.
·         Incentivar a expansão da educação integral.
·         Defender a escola pública laica. Criar políticas de prevenção e combate a todas as formas de bullying, violência e discriminação dentro do Plano Nacional de Educação.
·         Manter a política de cotas nas universidades.
·         Recuperar o SUS, com investimento em atenção básica e médicos da família, bem como melhoria nos postos de saúde.
·         Utilizar novas tecnologias para modernizar os serviços do SUS, como o agendamento de consultas por meio eletrônico e a criação de uma base única de dados do paciente, com objetivo de estabelecer um prontuário eletrônico.
·         Promover uma melhor integração da saúde mental com a atenção básica.
·         Fortalecer políticas voltadas à qualidade de vida, como prevenção de acidentes de trânsito, redução da violência, controle e diminuição dos níveis de poluição do ar, alimentação saudável, redução do uso de agrotóxicos e apoio à agroecologia.
(...) 


2 POLÍTICAS SOCIAIS E DIREITOS HUMANOS

CIRO GOMES (PDT)
·         Manter e, na medida das necessidades, ampliar os atuais programas sociais, como Bolsa Família, Benefício da Prestação Continuada, Prouni, cotas nas universidades e Farmácia Popular. Reforçar o Minha Casa Minha Vida.
·         Garantir renda mínima a partir de determinada idade para os menos favorecidos.
·         Criar programa de acompanhamento orientado durante os primeiros mil dias de vida das crianças carentes.
·         Com relação às mulheres, aumentar o número de vagas disponíveis em creches, estimular a criação de delegacias especializadas, fazer cumprir regras que determinam igualdade salarial entre homens e mulheres quando na mesma função e carga horária.
·         Buscar igualar o número de homens e mulheres nas posições de comando no governo federal.
·         Manter a política de cotas e estimular a adoção de políticas afirmativas por parte de empresas, que poderão ganhar vantagem em processos de compras públicas.
·         Dar efetividade ao Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT e criar meios de coibir ou obstar os crimes LGBTIfóbicos.
·         Incluir no Plano Nacional de Educação o combate a toda forma de preconceito, seja ele por raça, etnia, sexo, orientação sexual e/ou identidade de gênero.


FERNANDO HADDAD (PT)
·         Combater a desnutrição infantil.
·         Criar um Sistema Nacional de Direitos Humanos.
·         Recriar com status de ministério as pastas de Direitos Humanos, Políticas para Mulheres e para Promoção da Igualdade Racial.
·         Impulsionar ações afirmativas nos serviços públicos.
·         Propor o Plano Nacional de Redução da Mortalidade da Juventude Negra e Periférica.
·         Criminalizar a LGBTIfobia, implementar programas de educação para a diversidade e criar nacionalmente o Programa Transcidadania — concessão de bolsas de estudo no Ensino Fundamental e Médio para travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade, lançado na gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.
·         Promover reforma agrária, titular terras quilombolas e demarcar áreas indígenas.


GERALDO ALCKMIN (PSDB)
·         Ampliar o Bolsa Família.
·         Estabelecer um pacto nacional para a redução de violência contra idosos, mulheres e LGBTI.
·         Adotar políticas afirmativas para as populações negra e indígena.
·         Oferecer proteção especial para o idoso, mediante programa de combate aos maus tratos, como também de acesso à moradia, educação e cursos profissionalizantes.


GUILHERME BOULOS (Psol)

·         Transformar o Programa Bolsa Família em uma Renda Básica de Cidadania Universal, como política pública e direito social. Eliminar as atuais condicionalidades, como a frequência escolar e a atualização da caderneta de vacinas para as crianças.
·         Aumentar o valor médio pago no Bolsa Família, de R$ 178,46 para um piso de meio salário mínimo, podendo chegar a um salário.
·         Criar um Sistema Único de Cidades, que apoie a produção, manutenção e reforma das cidades.
·         Assegurar o direito ao aborto. “O aborto não vai ser tema do Código Penal, vai ser tema do SUS. É um tema de saúde pública, respeitando o direito das mulheres”.
·         Criar a Lista Suja do Machismo, composta por empresas que paguem menos para mulher do que para homem. Essas empresas não vão poder receber crédito de banco público, fazer negócio com o Estado e terão seu nome exposto.
·         Tipificar a LGBTIfobia, criar uma rede de atenção às vítimas e responsabilização dos agressores, além de políticas afirmativas na aquisição de habitação para LGBTIs.
·         Apoio ao debate de gênero nas escolas para enfrentar a violência.
·         Criar ministérios dos Direitos Humanos, Igualdade Racial e das Mulheres.
·         Demarcar terras indígenas, quilombolas e de povos tradicionais.
·         Abrir todos os arquivos militares do período da ditadura que se referem a repressão e violações de direito. Enviar projeto de lei de reinterpretação da Lei de Anistia, de modo a autorizar à Justiça investigar e julgar “violações de direitos cometidos no período por torturadores do estado”.


JAIR BOLSONARO (PSL)
·         Garantir a cada brasileiro uma renda igual ou superior ao que é atualmente pago pelo Bolsa Família.
·         Crítico ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que "tem que ser rasgado e jogado na latrina. É um estímulo à vagabundagem e à malandragem infantil".


MARINA SILVA (Rede)

·         Manter o Bolsa Família. Dar acesso a microcrédito e assistência técnica para o beneficiário que quiser empreender.
·         Fazer com que o Ministério do Trabalho fiscalize o cumprimento da lei que determina que homens e mulheres não recebam salários diferentes para funções iguais.
·         Universalizar o saneamento básico. Para isso, aumentar os investimentos públicos e atrair o setor privado, incentivando as Parcerias Público-Privadas (PPPs).
·         Promover a regularização fundiária e atuar na resolução dos conflitos no campo.
·         Promover a demarcação de terras indígenas e quilombolas.
·         Defende a realização de plebiscito sobre aborto.
·         Promover ações de saúde das mulheres e direitos reprodutivos e sexuais. Entre elas, oferta de contraceptivos pelas farmácias populares, estímulo ao parto humanizado e prevenção e atendimento à gravidez na adolescência.
·         Garantir e ampliar a oferta de tratamentos e serviços de saúde adequados às necessidades da população LGBTI.

(...)

Organização: Prof. Israel Fonseca Araújo. Confira o todo em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45215784