sábado, 26 de março de 2022

Não te agonia: tu não concordas em gênero, número e "grau"

Israel Araújo (editor, fundador)

Professor e Escritor. Academia Igarapemiriense de Letras (AIL)


Não gosto dessa ideia de dar "dicas de português", a não ser que fossem dicas culturais e/ou filosóficas que viessem de Portugal. Mas não as tenho. Poesias, tais como as de Fernando Pessoa, aí, sim, posso te dar. Nem eu daria dicas pra vc falar ou escrever bem, ou "corretamente". Não tenho crença nisso (quem vê a língua como um esqueleto ou algo morto, deve ser legista ou quem desenterra restos mortais em uma exumação). Aliás, como já estudei e estudo um pouquinho de Linguística, indo meio perto de Sociolinguística, dos estudos discursivos, da variação linguística e de coisas similares, nem tenho mais o direito de cometer essas gafes ou marcar essas "tocas" (no Pará, sempre usamos esses registros de fala/escrita; o "não te agonia" é frequente). É isso e é uma questão de fé e de convicção.

Quem vive se arriscando a dar essas "dicas", vive pisando a bola - como se diz pelo registro de norma culta ou norma padrão. Ou seja, vive contundindo seus tornozelos na praça pública linguageira. Vejam o caso dos puritanos jornalistas, profissionais de nível superior, nos seus programas televisivos, que escorregam milhões de vezes ao pronunciar nobel (paroxítona), ao invés de nobel (oxítona, que é a forma correta de pronunciar); risos meus, agr.

Segundo minhas crenças, se um amigo, ou uma amiga, parente, gente querida, me pedisse sugestão, eu poderia sugerir, só sugerir que lesse o livro A norma oculta: língua & poder na sociedade brasileira (ed. Parábola), do formidável linguista e educador Marcos Bagno). Tem, ainda, outros, menos densos, mas - acerca dessa questão da norma (em linguagem, diga-se de passagem) - quero indicar esse livro aí, acima indicado.

Voltemos ao caso de minha sugestão, do título "tu não concordas em gênero, número e grau", conforme as pessoas dizem amiúde por aí; acontece que tua concordância, em termos de elementos linguísticos, acontece somente em gênero e número. Pensem no "masculino e feminino", no "singular e plural" de nossa terna infância; trata-se de gênero e número, em termos gramaticais, em termos desses registros linguísticos. Já usei várias construções, aí acima, respeitando essas "leis".

Vejamos as seguintes relações, nas construções dadas:

"essas leis" = número (plural);

"seus tornozelos" = numero (plural; e gênero, igualmente, pois lá está o masculino "tornozelo");

"na praça pública" (gênero, pois se trata de "a praça"; mas é "a praça", viu?);

"um amigo, ou uma amiga, gente querida" (gênero: masculino e feminino; igualmente, tem-se a relação em número, pois aí temos "amigo" e não amigos, p. ex.).

Ou seja, sem grandes esforços, várias construções "surgiram" e sendo que respeitamos as flexões. Mas, nada de acontecerem "concordâncias em termos de grau". Pronto, fim de papo.

Grau? No sentido desta nossa micro conversa, é fenômeno que denota derivação (não se trata de flexão). Sendo derivação, já se passa a outros terrenos no campo morfossintático e se avança em termos de mudança de sentido. Caso a gente faça um esforço para concordar "em grau", o resultado deve ser frustração, somente. Uma leitura descomplicada, mas muito básica, está na seguinte publicação (acesse, clicando AQUI).

Nesse post (do Jornal de Brasília), vc tem explicações interessantes, tais como:

[...] substantivos flexionam-se [somente] em gênero e número, mas durante muito tempo incluiu-se, nesse meio, o grau. Vamos recordar: gênero tem a ver com masculino e feminino (menino – menina). Já o número mostra se é singular ou plural (meninos – meninas). A gradação (o grau) já é demonstração de aumentativo e diminutivo em várias modalidades (meninão – menininha; bonitíssimo, muito bonito, o mais bonito). (grifo meu)

Ocorre que muitos estudiosos perceberam que o grau não se encaixava nessa forma de flexão, por não exigir tal concordância, configurando-se, apenas, uma derivação, e com característica opcional. Veja que se deve dizer “menina bonita” (alterando o bonito para concordar com a menina), mas não é obrigatório dizer “menininha bonitinha”, permitindo-se “menininha bonita”. (grifo meu)

[...] entendemos que a expressão pode vir da época em que ainda se tratava a gradação como uma forma de flexão. Quem ainda não pensou nisso (ou nem sabia) continuou a equivocada tradição. [...] Mesmo assim, há quem afirme que “concordar em gênero, número e grau” seja uma forma de ter a mesma opinião de alguém em tudo, até mesmo em aspectos para o qual não se exija tal atitude: “Concordo com você até quando não é preciso”. Será? Há quem arrume desculpa para tudo, não é? (grifo meu)

(Fim)


Não sei vc, mas eu só faço as concordâncias, isto é, as ligações, relações, cruzamentos, flexões... em termos de gênero e número. Pra ser sincero com vc, nem tem como vc fazer diferente (risos).

____________

P.S.: Erros, imprecisões? Informem para poemeiro@hotmail.com

quinta-feira, 17 de março de 2022

Nestes dias tão estranhos, vc não conversa: somente "ataca" seu outro(a)

Eu achei importante dividir com vcs esta questão, sobre o fato de que não estamos, mais, conversando, debatendo os fatos, vislumbrando versões diversas acerca deles, apresentando e discorrendo sore pontos de vista. Vejamos só: um cidadão dito (a) bolsonarista e outro, (b) um lulista (não gosto destes rótulos, mas eles são amplamente usados...), estão debatendo, discutindo-se nas redes sociais (mas pode ser em uma roda de ar, após um jogo de futebol, ou numa festa de casamento etc.).

O cidadão "a" fala sobre o fato de que Lula da Silva "é o dono do Triplex" do Guarujá (SP), que ele é comunista ou coisas similares; o cidadão "b" assegura que Bolsonaro "é ligado a milicianos e está envolvido em rachadinhas" e outras coisas sujas da política - ou do mundo do Crime. Nesse momento, nem um e nem o outro podem estar atentando aos argumentos de seu oponente na discussão. O mais provável é que nem A e nem B sequer ouça os argumentos de seu adversário.

Como eles se digladiam? Seria simples a explicação: é que A ou B somente ataca a pessoa de seu adversário; não tem interesse algum em ver suas posições e refletir acerca delas. O que tem de fato, de possível verdade nos dados e/ou nas argumentações de cada oponente, ah, isso nada importa. Isso explicaria o fato de que, acima de tudo no conjunto de seguidores de Jair Bolsonaro, não se conversa mais, apenas pratica-se o ataque a seu adversário político ou discursivo. Trata-se de uma declarada tática definida por extremistas e/ou negacionistas (negacionista em tds os sentidos); quem lidera isso, em termos deste País?

Sim, Olavo de Carvalho. Sim, um negacionista que tem ódio na educação e que era (ou é) chamado de "professor Olavo". Confuso de entender, não? Pois é, no extremismo os pensamentos são assim; são uma espécie de "não pensamento".

Acerca dessa postura intelectual, teórica, o escritor Henry Bugalho afirma que a tática desses sujeitos é "Não confrontar a informação, mas confrontar, digamos, atacar a pessoa", atacar a instituição da imprensa (jornais, redes de TV e outros, p. ex.) ou outra. Trata-se de ataques à pessoa e não a seus argumentos, repita-se; diz Bugalho: "ataca-se a fonte da informação", não se ataca a informação, o conteúdo, o que foi enunciado (ou dito).

MAIS INFS.: Uma ótima exposição acerca dessa atual postura (atual desde uns anos, já, neste país), uma espécie de "não-conversa", está no vídeo intitulado "Errei..." (de responsabilidade de Henry Bugalho (escritor, formado em Filosofia); veja o ótimo conteúdo, se quiser, neste Link AQUI). Confira. A reflexão nos ajuda muito a entender nosso atual momento político, histórico.

#poemeiridomiri

terça-feira, 8 de março de 2022

(poema) "MOTIVO" (Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada
.

(Fim)

Na obra “Viagem”. Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967. Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/eu-canto-porque-o-instante-existe-cecilia-meireles/ 

(Poema) Dia 8/M (de lutar e superar)

Não te contenta

com o “Feliz dia” da Mulher

nem com as flores ou o café

de quem te agride nos

outros 364-D

 

não deixe a simbologia

deste dia

cessar tua rebel

                           Dia

(no amor, no suor, na cerveja,

na fé, no sexo e na boniteza)

 

não saia das lutas,

não fuja dos livros,

não te afastes do trabalho,

do dinheiro, das canetas

e dos há-abraços

da empatia, da solidariedade

e da correria

 

firme-se no espírito crítico,

na fé, nas denúncias

e na confissão,

na ilusão, na balbúrdia

e na confusão

 

(para que outras de vocês não

venham, literalmente, a morrer)

 

(Israel Fonseca Araújo: 08.mar.22)

Academia Igarapemiriense de Letras (AIL)

sábado, 5 de março de 2022

Ucranianas “são fáceis, pois são pobres”, diz Mamãe Falei ou "Mamãe, Defequei": notas sobre anti-política e horror (Editorial)

Israel Fonseca Araújo (editor, fundador); poemeiro@hotmail.com

Academia Igarapemiriense de Letras (AIL)


O que você pensaria/sentiria sobre a situação de mulheres, em outro país, violentadas em suas dignidades em razão dos horrores de uma Guerra, amontoadas em uma fila de refugiados(as)? Obrigadas a fugir - às pressas - de seu país, elas se amontoam em filas de pessoas refugiadas, à espera de uma sorte ou um milagre para poder fugir e perder tudo (casa, empregos, planos, sonhos, estudos e, às vezes, até amor, carinho e aconchego familiar), mas segurar seus bens mais valiosos: vida, paz e liberdade. Lutam para não morrer, simplesmente querem viver e ajudar os(as) seus a seguirem vivendo. O que elas não querem nem saber? Possivelmente, de sexo, de manter relações sexuais casuais, com seus compatriotas e/ou com estrangeiros.

Nessas situações de horror e de ameaças de perder a vida a qualquer momento, quem estaria excitado(a), pensando "naquilo"?

Nessa situação de horror e de vida nua ou vida vulnerável no pleno sentido da expressão (lembrei-me, agora, do que pensaria Agambem sobre a questão), essas mulheres querem é sair do estado de pesadelo e respirar vida. Perdão pela redundância, mas elas só querem fugir da morte.

Ainda assim, temos de lidar com a situação de um político brasileiro violento, agressivo, mentiroso e asqueroso, integrante do chamado extrato "conservador" e anti-Esquerda da sociedade, um deputado estadual por São Paulo - aliado de "pessoas de bem" (as tais Sérgio Moro, Silas Malafaia, Bolsoaros e congêneres). Sim, uma pessoa integrante de um Movimento (tal de "MBL") que se destacou por ofender professores em sala de aula (no exercício desses, em pleno estado de Liberdade de Cátedra, uma garantia da nossa Constituição Federal vigente), por incentivar machismo, racismo, ódio de classe, sexismo, negação da política e xenofobia. Nome civil dele?

Nem vem ao caso, é conhecido como "Mamãe Falei" e se tornou um político após ser parido pelas úlceras sociais da negação política (ou seja, surgiu da realidade da negação da democracia e da dignidade humana, da negação da liberdade - pois o sentido da política é a liberdade, segundo Arendt), fruto do ódio às liberdades e à vida humana em plenitude (segue uma nuance: esse deputado bolsomínion teve a ousadia de se referir ao Padre Júlio Lancelotti como "cafetão" de pobres de SP, em razão do trabalho humanitário que esse religioso faz, há décadas, nesse estado).

O professor aposentado, filósofo e atual youtuber, Paulo Ghiraldelli Júnior se refere a Arthur do Val (o tal de Mamãe...tem esse nome) como "Mamãe, defequei". Pois bem, o oportunismo momentâneo causado pelo sofrimento e pelos horrores do povo da Ucrânia excitou "Defequei" e este se juntou a um Coordenador do tal de "MBL", seu ventre, e ambos foram ao país agredido pelo presidente Putin. (Tem uma boa exposição do citado professor no vídeo intitulado "MBL: A CLASSE MÉDIA COMO ELA É. FALA DO MEMBRO DO MBL NA UCRÂNIA MOSTRA TUDO!"; link para acessar, clique AQUI).

Possivelmente, foram com muita grana nos bolsos; "Falei" ou "Defequei" é deputado estadual por SP e deve ter levado gordas diárias para viagens internacionais; seu aliado tbm deve ter juntado gordas doações. Rumaram à nação ucraniana, incentivados publicamente por Moro, com o pretexto de prestar auxílio ao povo e "blá, blá, blá...": depois de lá chegarem, bem... aí, vc certamente já sabe de tudo: certamente, você (o sr., ou a sra.) já ouviu os áudios de "Mamãe...", quando esse gênio do ódio se refere às mulheres pobres e agonizantes da Ucrânia como "fáceis" ("fáceis" para permitir o sexo, a relação sexual com).

"Defequei" ou "Falei" ficou excitadíssimo ao ver a beleza das ucranianas nas filas de refugiados(as): sim, pessoas em situação de extrema vulnerabilidade etc.; no conteúdo mandado a "amigos", exclamava que, tendo seus 35 anos, nunca viu tamanha beleza e facilidades para (segundo ele sugere) obter sexo; garantiu que já vai se organizar para visitar esse país, ano que vem, e conseguir se dar bem. Ainda disse que amigo seu sempre faz isso (ao que parece, se referia a líder do tal de "MBL"); ou seja, que sempre se dá bem nessas empreitadas.

Nuances: Importante atentarmos para a multiplicidade de possibilidade de abordagens que uma questão como essa suscita. Seja pelas lentes sociológicas, do Direito (e dos Direitos Humanos, obviamente), filosóficas, culturais, da linguagem, educação e por aí vai. Não farei arriscar-me a tal, rsrsrsrsr. Mas é muito saltitante ante nossos olhos que a questão identitária, de gênero, sobre a misoginia é urgente; sabemos que os mbeelistas são reconhecidos pelos ódios que destilam às mulheres (sobre Dilma Rousseff, lembram? Mas não somente sobre isso), o que esta fartamente constatado em suas manifestações públicas contra a democracia brasileira. Portanto, diante das ucranianas não poderia ser diferente. Caso se tratasse de homossexuais, suspeita-se que "Falei" não falaria isso; apenas destilaria seu ódio, assim como se diante de negras e negros estivesse.

Mas Ghiraldelli Jr. e outros comentadores(as) também levantam a questão do ódio de classe; a velha relação tóxica de "nossas" classes médias contra nossa classe trabalhadora. Não deixo de ver essa "tese" como relevante, muito relevante, pois é contra mulheres pobres que o "do Val" volta seu ódio. Não fossem as mesmas "pobres", não seriam "fáceis" para ceder a seus caprichos sexuais (ele que disse isso; eu, não falei). Com a sua classe, possivelmente ele não faria isso; diz-se, até, que ele namoraria uma mulher médica. Médicas costumam não ser "pobres". Creio que a questão relativa a gênero é super relevante (repito), mas precisa ser observada em articulação com a perspectiva do debate em termos de classe. Além dessas, há outras formas de abordar a questão. Fique à vontade para acrescentar.

Outro lado: "do Val" informou que o áudio foi mandado em momento "de empolgação" e para um grupo fechado, digamos: reservado (veja matéria, clicando AQUI). Possivelmente, somente de homens e mulheres mbeelistas. O que ele quer dizer com essa sua defesa? Isso mesmo, que é isso que ele pensa, mas que os seus parças não deveria ter revelado o que ele pensa. Lá no seu grupo, ao que parece, tinha algum "esquerdista" que o traiu e vazou suas fezes enunciativas. Ainda bem.

Sabem o que "Defequei" faria se essas lindas mulheres defecassem perto dele? Leia na matéria, ao final deste texto.

Por fim. Que "Falei" ou "Defequei" receba da história o que a mesma costuma reservar a esses "lixos" humanos: a lata; que mais mulheres se levantem da sonolência ideológica e intelectual e o reservem à solidão (sua suposta namorada, médica, teria já se desvinculado dele; mas ela nem precisaria, pois não é "pobre" e, mais que isso: "pois quem se junta ao porcos, farelo come"). Que mais "Defequeis" desse tipo sejam recepcionados com as devidas pedradas democráticas em nossas ágoras e praças públicas virtuais - assim como o faço agora, mesmo crendo que ele não merece que eu tire 70 minutos de me tempo para tal. Mas o nosso país merece e precisa.

P.S.: Matéria do site "Metrópoles" sobre a questão


EM ÁUDIO, MAMÃE FALEI DIZ QUE UCRANIANAS “SÃO FÁCEIS, POIS SÃO POBRES”

Pré-candidato do Podemos ao Palácio dos Bandeirantes, aliado de Sergio Moro, Arthur do Val está na Ucrânia sob pretexto de ajudar refugiados

 

Gustavo Zucchi

04/03/2022 17:52 (link para matéria completa; clique Aqui); acesso em

5.03.2022 (todos os grifos são deste Blog)

Na Ucrânia sob o pretexto de auxiliar a resistência local contra a invasão russa, o deputado estadual paulista Arthur do Val (Podemos), conhecido como Mamãe Falei, enviou áudios a colegas do Movimento Brasil Livre (MBL) com uma série de comentários machistas sobre as refugiadas ucranianas.

Nas mensagens, às quais a coluna teve acesso, o parlamentar afirma que as refugiadas que ele encontrou na fronteira entre a Eslovênia e a Ucrânia “são fáceis, porque são pobres”. Ele diz também que a fila de baladas brasileiras “não chega aos pés da fila de refugiados aqui”.

“Vou te dizer, são fáceis, porque elas são pobres. E aqui minha carta do Instagram, cheia de inscritos, funciona demais. Não peguei ninguém, mas eu colei em duas ‘minas’, em dois grupos de ‘mina’, e é inacreditável a facilidade”, diz o deputado, que é pré-candidato ao governo de São Paulo nas eleições deste ano e conta com apoio do ex-juiz Sergio Moro.

“Só vou falar uma coisa para vocês: acabei de cruzar a fronteia a pé aqui, da Ucrânia com a Eslováquia. Eu juro, nunca na minha vida vi nada parecido em termos de ‘mina’ bonita. A fila das refugiadas… Imagina uma fila sei lá, de 200 metros, só deusa. Sem noção, inacreditável, fora de série. Se pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila de refugiados aqui”, diz o deputado estadual em outro áudio.

 

Em outro trecho das mensagens, o parlamentar baixa ainda mais o nível e diz ter encontrado garota que, “se ela cagar, você limpa o c* dela com a língua”.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Sabes o que é incoerência? Isso pode até matar (post rápido de fds)

 Amigos/as, ispiem só essa situação; bem fácil até de entender. Considerando que o Brasil produz muita, mas muita, mas muita soja, por que vc acha que o óleo de soja foi um dos vilões do aumento no preço da Cesta Básica? Qual a "lógica" que explica isso?

Por que os preços - no caso do mercado interno brasileiro - não ficam no nível do razoável?

Não será porque o governo quer fazer seus aliados cada vez mais bilionários, tri-lionarios e assim por diante? Bom atentar mais para isso, não?

Ou seja, a fórmula que nós usamos pra definir Presidente tem algum problema, ou na fórmula, ou em nós mesmos; em nossos dispositivos de inteligência, será? (Risos tristes).

UM EXEMPLO triste, de corte nas nossas carnes:

Vejam o caso da educação pública e de como lidamos com a mesma, como contribuímos para fazer essa rede de direitos ser mais (ou menos) justa, igualitária: tem professores/as de escola pública, trabalhadores meio pobres (que ganham cerca de 20% dos salários de um deputado federal ou de um Juiz, de um delegado), pessoas como Nós, que rejeitaram o Fernando Haddad (Prof, pesquisador, Doutor, advogado, ex-Ministro da Educação, ex-Prefeito da megalópole da América Latina) e escolherem o Jair Bolsonaro (suspeito e muito suspeito de ligações e ligações...) para governar o Brasil e definir os rumos na Educação Pública e nas demais políticas públicas. Inclusive, podendo sepultar políticas públicas - caso da Cultura e da Valorização da Mulher.

Qual é essa lógica? O que explicaria isso? Vejamos.

Pode ser uma "burrice", ingenuidade, idiotice, às vezes canalhice e má-fé; às vezes, somente falta de humildade pra conversar com quem entende mais de questões cruciais definidoras de nossas conquistas ou perdas sociais - caso de Estado mínimo, estado de exceção, milicianato, golpismo, gestão pública, política, economia, neoliberalismo etc. (Sim, sim; assim como em outras profissões, na nossa tbm tem coisa ruim, muito ruim ou podre).

Mas, nem por isso vamos desistir de nosso país, não é?


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#BlogPoemeirodoMiri 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Vamos dar uma (voltinha) nos EUA, com 39 mil reais públicos no bolso? (Um exc. texto de domingo)

Não irei falar sobre os apoios públicos de deputado federal bolsonarista ao Nazismo (o que é crime), de opiniões criminosas sobre defender um regime que matou muitos milhões de pessoas pelo Mundo - sobretudo judeus, na Alemanha de Hitler (bem apoiado pelos Bozos da vida); nem falarei sobre "comunicadores" atuantes no You Tube, que saem a defecar pela cavidade vocal, nem sobre coisa similar (não são tds, fique claro; tem muita gente super competente e que se pauta por bons princípios éticos atuando em plataformas como essa). Isso levaria diversas páginas de escrita e você não gostaria de ler. Você gostaria?

Vou discorrer, em poucas linhas, sobre o fim da mamata no Brasil. Você acredita? (Oi, ainda estás aí?). Você lembra de quando havia diversos políticos, principalmente atuantes nos planos federal e estadual, que saíam em viagens pelo Mundo, gastando milhões de reais com recursos públicos? Ou seja, fruto dos trabalhos do contribuinte. lembram? Eram gastos muitos milhões de reais, ou de dólares, usando essas verbas públicas; quem fazia isso? Era "o PT", não era? (#poemeiro_pensativo)... Risos.

Cara, me deu uma vontade de ir aos Estados Unidos da América (EUA), pra me divertir um pouco, conversar sobre MMA, fazer um teste de Covid-19 ao custo de perto de dois mil reais, ainda mais podendo ter 39 (trinta e nove) mil reais para gastar, à vontade. Sabe, aqueles R$ 39.150,95 à disposição da gente; bora lá? O povo brasileiro paga. Tá liberado. Mas tem um problema: para irmos, temos de ser integrantes do alto escalão do governo de Jair Bolsonaro. Bora lá pegar uma vaga na Secretaria Especial de Cultura (espaço equivalente ao finado Ministério da Cultura). Mais de 39 mil reais somente para uma pessoa; sendo duas, podemos ter o dobro disso (mais de R$ 78.300,00).

Tamo junto? Vc é contra a "mamata"? Então, venha comigo; vamos nos juntar ao Mito de araque e telhados de vidro e banir a "mamata" de vez deste país; ok?

Tem problema se eu contar um caso a vc? É sobre o "fim da mamata no Brasil". Farei melhor; vou pedir a outras pessoas lhe contar: uma pessoa, é do site R7 (Grupo Record, instituição defensora do bolsonarismo e de sua corrupção, do Bolsonaro e de sua corrupção e seus crimes, guardadas mínimas exceções); depois, é a vez da voz da Carta Capital, não alinhada a isso tudo. Leia, pfv:

(R7, Grupo Record):

MARIO FRIAS GASTA R$ 39 MIL PARA SE ENCONTRAR COM LUTADOR NOS EUA

Viagem ocorreu de 14 a 19 de dezembro, e secretário-adjunto da Cultura também viajou; órgão diz que Frias cumpriu várias agendas

 

Plínio Aguiar, do R7 em Brasília (DF)

O secretário especial de Cultura, Mario Frias, gastou R$ 39 mil, pagos pela União, numa viagem que durou cinco dias para Nova York, nos Estados Unidos, em dezembro de 2021, para se encontrar com o lutador de jiu-jítsu Renzo Gracie, apoiador do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com os dados do Portal da Transparência, a viagem, que ocorreu de 14 a 19 daquele mês, custou aos cofres públicos R$ 39.150,95. O motivo para a agenda foi o convite feito pelo lutador para conhecer um projeto cultural de audiovisual.[...]

Fonte: (R7, clique aqui)


(Site Carta Capital):

"Viagem de Mario Frias aos EUA para ver lutador de jiu-jitsu custou R$ 39 mil...

O secretário de Cultura foi a Nova York em dezembro para discutir um projeto audiovisual com Renzo Gracie

Carta Expressa; 10 de fevereiro de 2022

A recente viagem de cinco dias a Nova York do secretário especial da Cultura, Mario Frias, custou 39 mil reais aos cofres públicos. Ele foi aos Estados Unidos em dezembro de 2021 para discutir um projeto audiovisual com o lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie, apoiador do presidente Jair Bolsonaro [atualmente no PL]".

Fonte: ( post de Carta Capital, clique aqui)

Outro lado: Maria Frias acusa os jornalistas, nega as infs. que o governo federal disponibilizou no Portal (ou seja, informa que essas infs. são falsas) e informa que processará os divulgares das infs. (jornalistas, comentadores e outros).

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Os trechos que citamos acima são frutos de publicações produzidas a partir de checagem de fatos, acesso a dados reais e públicos - disponíveis à população no Portal da Transparência; não porque um governo queira, mas porque a sociedade conquistou legislação determinando isso.

Que acha vc? Gostou do sepultamento da "mamata" neste nosso amado Brasuca? Quer saber mais sobre os milhões gastos com Cartão Corporativo nas curtições (de fins de semana, ou não), e farras, de "Jair", Brasil afora?


Texto: Israel Fonseca Araújo, escritor, professor, blogueiro. Academia Igarapemiriense de Letras (AIL).

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Lançamento: "POROROCA DOS SABERES" é o novo livro liderado pelo historiador Marinaldo Pinheiro

Israel Fonseca Araújo (Academia Igarapemiriense de Letras/AIL)

Divulgação da Live - Lançamento do Livro "Pororoca dos Saberes" (Ed. Veloso, 2021)

O historiador, professor e pesquisador Marinaldo Pantoja Pinheiro é um dos mais produtivos intelectuais de nosso Igarapé-Miri (PA), nos últimos anos. E olhe que as atividades culturais, poéticas e de pesquisa estão a todo vapor (e como nunca o estiveram) na Terra do Açaí. Mestre em Educação e Doutorando no mesmo Programa, pela UEPA, graduado e especialista em História; bacharel em Filosofia, membro efetivo da Academia Igarapemiriense de Letras (AIL), Pinheiro tem se destacado, e muito, nesse aspecto: só no dia do Aniversário de Igarapé-Miri, em 23 de maio de 2021, foram dois livros acadêmicos lançados. Agora, surge mais um.

Desta feita, trata-se da obra POROROCA DOS SABERES: Produção de conhecimentos na “Terra do Açaí” (Editora Veloso, 2021). Organizado pelo citado historiador, o livro reúne pesquisas que resgatam vários aspectos acerca do passado igarapemiriense, conforme apontamos a seguir (em tempo: Live de Lançamento acontecerá nesta quarta, 09/02, 20:30h, no Facebook Poemeiro do Miri On-line). 

Segundo as falas do próprio organizador, a obra apresenta "o resultado de cinco (05) pesquisas que tratam das seguintes temáticas: educação, escravidão e religião, a saber:

(i) Patrimônio perdido: História da Festividade de Santa Maria da Boa Esperança em Igarapé-Miri, Pará (1825-2005), de autoria de Edna Ferreira Lobo;

(ii) 'Fragmentos de uma sociedade imperial (1831-1903)', Renato Pinheiro Sinimbú;

(iii) 'Senhor e possuidor de uma sorte de terra': Título de Posse e regularização fundiária no município de Igarapé-Miri/PA (1897-1901), escrito por David Rodrigues Farias;

(iv) Ecos de Modernidade: História do Grupo Escolar de Igarapé-Miri, Pará (1904-1971), texto produzido por Marinaldo Pantoja Pinheiro;

(v) Ensino de História na Escola Municipal de Ensino fundamental Aristóteles Emiliano de Castro, Igarapé-Miri, Pará (1964-1985), de Rayanne Corrêa Cabral".


Síntese: Segundo anotações da professora e pesquisadora, doutora Ivanilde Apoluceno de Oliveira, o Pororoca dos Saberes "é uma coletânea, que apresenta pesquisas de caráter interdisciplinar realizadas no município de Igarapé-Miri, Pará, Terra do Açaí. O título é significativo ao destacar a 'Pororoca dos Saberes', que tem relevância no contexto amazônico e, como destaca Oliveira (2003), expressa no plano simbólico o encontro entre diferentes forças de saberes, cuja onda de ideias avança, de forma avassaladora, na construção do conhecimento"; conclui a professora da Universidade do Estado do Pará (UEPA) que "vale a pena ler esta coletânea para conhecer tanto o contexto histórico, cultural e educacional do Município de Igarapé-Miri, quanto às produções de seus pesquisadores com as vozes dos sujeitos das pesquisas, representantes da comunidade local". 


Apoio: Blog Poemeiro do Miri

domingo, 6 de fevereiro de 2022

"Professor do Povo": sobre o trampo de um criminoso neonazista no "Brasil de Bolsonaro"

O Brasil de Bolsonaro não é para amadores(as); em termos de incentivos a crimes diversos (apologia ao nazismo, à tortura, à execução sumária de negros e população LGBTQIA+, violência contra mulheres e populações moradoras de favelas e outros), nada supera essa nova fase de horrores praticados contra os direitos das pessoas (ou seja, os direitos humanos).

A coisa é tão grave que, além de revolta/indignação, chega a dar nojo, asco em pessoas do bem. Vejam estes exemplos: (i) as mortes de quase 650 mil pessoas (oficialmente registradas) pela Covid-19 não obtiveram do "Presidente" do Brasil, ao contrário: inúmeras vezes Bolsonaro debochou do sofrimento das pessoas e até das mortes destas, pela Covid-19, se referiu a quem sofre taxando-os de "maricas" e falou em "mimimi"; deu de ombros e disse: "e daí, eu não sou coveiro?"; nem o "Bozo", nem sua Ministra de Direitos Humanos - Damares Alves - se mostraram sofrendo ou com empatia em relação a essas mortes;; (ii) nesse Brasil de Bozo, a execução de negros é motivo do mesmo silêncio, covarde e que beira à categoria de criminoso, que vitimou a já executada (com tiros de fuzil, de atiradores de elite...) Marielle Franco (Ver./PSOL): assim se deu com o jovem congolês (Moïse) e com um negro (Durval Filho) - este executado por um Sargento da Marinha, com três tiros, a sangue frio; aquele, executado a pauladas, à vista de todos...; silêncio e frieza totais da parte deles - muitos dos quais, se achando líderes cristãos e seguidores de Jesus Cristo nesta Terra; (iii) a prática de produzir e de, sobretudo, de replicar notícias falsas/fraudulentas - as tais fake news.

Nenhum estrato populacional comete tantos crimes contra a cidadania e as boas práticas de vida comunitárias quanto esse, essas pessoas, o que é grave, criminoso e lamentável. Mas é a realidade que está a nossa cara, e ainda vamos precisar de uma ou de muitas décadas para sair desse poço de obscurantismo e de crueldade de caráter. Isso é pode ser vislumbrado, ao menos em parte, no conteúdo sobre o qual nos referimos, a seguir.

No dia de ontem, 6, o professor aposentado, escritor e youtuber, Paulo Ghiraldelli Júnior, publicou um vídeo em seu Canal no You Tube ("Filósofo Paulo Ghiraldelli") tratando sobre um neonazista alemão, espécie de pessoa fugida da Alemanha em razão de cometimento de crimes naquele país, caso de apologia e/ou relativismo em relação ao Nazismo, estilo supremacista (branco, né?), defensor de mortes de pessoas que ele(s) considera(m)como inferiores etc. O cara está alimentando e sendo alimentado pela extrema-direita e mora em Santa Catarina (matéria do gruo Globo, acesse clicando Aqui); isso, mesmo, mas veja este dado: há poucos anos atrás (perto de 2018), pesquisas mostravam que SC era o estado brasileiro que mais baixava conteúdo nazista na internet, infelizmente, isso não é dado irrelevante.

No conteúdo intitulado "Ele está feliz no Brasil", Ghiraldelli Jr. afirma, claramente: "O 'professor do povo' está entre nós. Propaga todo tipo de porcaria política. É alemão e foi condenado na Europa. Tem credenciais falsas de jornalismo". Ghiraldelli Jr. tem boas credenciais para fazer essa discussão, senão, vejamos: é duas vezes Doutor, uma pela USP e uma pela PUC-SP; e duas vezes Mestre, uma pela USP e uma pela PUC-SP; é graduado nas áreas de Filosofia e de Educação Física. Possui um vasto número de livros acadêmicos publicados - e se apresenta como Diretor do CEFA - Centro de Filosofia Americana.

Link para o vídeo de Ghiraldelli JR., na íntegra (clique AQUI)

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Sargento da Marinha: Sobre a execução do negro Durval Filho, com 3 tiros de pistola e à queima-roupa

Israel F. Araújo (editor, fundador). Contato: poemeiro@hotmail.com

Academia Igarapemiriense de Letras (AIL)


Durval Filho; img Rede Globo: disponibilizada por Carta Capital


Este relato é profundamente triste e pode te causar mal-estar, sofrimento íntimo e angústia. Quer continuar? Então, te prepara. Aconteceu assim, e se deu, novamente, no Rio de Janeiro (BR), desta feita em São Gonçalo:

 

I - Um homem branco, sargento da Marinha (Sr. Aurélio Alves Bezerra) – ou seja, integrantes das Forças Armadas (formadas por servidores públicos que dispõem de armas de fogo para andar, trabalhar, se locomover, passear, ir a lanchonetes, aniversários, casamentos, sorveterias, festas, bares...), avistou um cidadão negro (Durval Teófilo Filho, um homem negro, que o Sargento da Marinha possivelmente não reconheceu e que não era de seu grupo de amigos, por ser negro ou por outra razão) que chegava próximo a sua pessoa (do Sargento). Imediatamente, este sacou de sua pistola e deu um tiro em Durval (o homem negro, que morava no mesmo condomínio “do” Sargento); Durval caiu, espécie de mão levantada, clamando por socorro e suplicando para não ser mais atirado, para não ser morto. O Sargento, vendo isso, deu mais dois tiros à queima-roupa em Durval (o homem negro, seu vizinho de condomínio), finalizando, dessa forma, a vida de Durval Filho (o homem negro...). O racismo estrutural, neste país, propicia que pessoas moradores de apartamentos ou ruas próximas não "se conheçam", nem conversem, de modo que o cidadão - ou a cidadã - branco nem conheça seus vizinhos; digamos assim: seus vizinhos pretos são invisíveis.


II – Ato contínuo, o Sargento se aproximou e constatou que Durval (o homem negro, seu vizinho de condomínio) não portava arma, que não iria lhe atirar, assaltar e/ou matar: a tese do Sargento branco era de que Durval (o homem negro, possivelmente somente por ser negro) estava mexendo próximo da cintura e que poderia cometer assalto. Antes de atuar como militar, de exigir "mãos ao alto" etc., o que fez o Sargento/branco? Fuzilou o descendente africano: depois, se pergunta se era assalto ou se não era (mas Durval, o negro, não teve meios de dizer que não era, pois morto não fala). Nesse momento, já era a vida de mais um negro, assassinado covardemente neste Brasil, com os requintes de animalidades de que se revestem esses crimes sobretudo no Rio de Janeiro (lembram da recente execução do jovem congolês, que fugiu de lá para não ser morto...?). O Rio de Janeiro é exemplo de Brasil, tbm nesse aspecto: lembram da execução de um músico negro, com cerca de 80 tiros contra seu carro, sua pessoa?


II - Com a obrigação de fazer investigação (tem imagens de câmera e outras provas), a Polícia saiu a campo. Tudo anotado e "tecnicamente" documentado, o que fez o delegado (que é integrante de força armada)? Registrou, ofertou relatório dizendo que houve "homicídio culposo", pois o Sargento branco deu 3 balaços no Durval (negro) "sem intenção de matar" Durval; isso, mesmo. Digamos assim: esses tiros à queima-roupa se prestavam a fazer cócegas em Durval !!! (contém ironias, tá?).

 

III - Felizmente, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (que é obrigado a atuar, nesses e em outros casos) saiu em defesa da memória de Durval (lembremos que, vida, ele não tinha mais). Assim sendo, segundo informa a Carta Capital, o “MP-RJ diz que sargento da Marinha que matou vizinho por ‘confundi-lo com ladrão’ cometeu homicídio doloso” (consulte a matéria, na íntegra, clicando Aqui). Segundo a mesma matéria, Sargento seguirá preso: "A Justiça determinou a manutenção da prisão do Sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra, que atirou e matou o seu vizinho de condomínio Durval Teófilo Filho, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.[...] O militar também pode passar a responder por homicídio doloso (em que há a intenção de matar). O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu a mudança da tipificação do crime à juíza Ariadne Villela Lopes, da 5ª Vara Criminal".


IV - Agora, resta lutar, esperar, denunciar e até torcer. Enquanto escrevemos este pequeno texto, mais negro são executado, feito "bichos", país afora. Por que um delegado (servidor público estadual) faz esse escárnio contra a memória do Durval (negro) Filho? Possivelmente, por estratégia política de manutenção do racismo estrutural; ou por coisa pior, já que se fosse julgado por crime "sem intenção" de matar, o Sargento Aurélio pegaria uma pena menor; sairia mais rapidamente de uma possível cadeia. Ainda bem, o MPE/RJ está acordado.


V - Sabemos que uma parte de nossa sociedade está apoiando o executor (o assassino), mas este Blog está pensando na vida perdida fria e covardemente, na família de Durval, em sua dignidade assassinada e no que isso significa historicamente e contemporaneamente, neste Brasil. Estamos dizendo, aqui traduzindo: que o "bandido" é o assassino; não é quem tem mais melanina na pele.

domingo, 30 de janeiro de 2022

Por que Lula segue firme na frente, mas Moro/Ciro/Bozo não (digamos, assim) sobe(m)

Israel Fonseca Araújo (editor, fundador). Academia Igarapemiriense de Letras (AIL)

Contato: poemeiro@hotmail.com


I - É bem fácil explicar essa questão, pois uma espiadinha nos dados das pesquisas eleitorais dos últimos meses já mostra por que o "Merreco" paranaense não sobe. É porque "não se faz um político" se enraizar por todo o Brasil, em coisa de poucos ou de uns doze meses; essa construção leva anos e até décadas. Isso não aconteceu nem com Jair Bolsonaro, posto que "surpreendeu" nas urnas de 2018 - sendo que já era um político genuinamente enraizado no sistema político brasileiro, isso há mais de 27 anos (lá em out. 2018); Leonel Brizola, Cristóvam Buarque, Ciro Gomes e Orestes Quércia tbm não conseguiram: isso para citar somente poucos casos.

II - Nenhum político brasileiro tem a força social (inclusive o receber ódios e ataques, de adversários e/ou de inimigos) do tamanho de um Luiz Inácio L. da Silva; você não gosta de ouvir ou ler a palavra "Lula"? Pois é, posso abreviar pra vc. Mas isso não faz a realidade deixar de existir; os fatos estão e estarão aí, às nossas caras, neste ano, nos anteriores e nas próximas décadas. Nem eu, nem vc tem forças para alterar isso. Claro, podemos fazer a resistência - e a nós a fazemos, mas isso não altera nada em termos de mexer com as estruturas. A realidade é coisa para ser vista e analisada por pessoas maduras, grandes e esclarecidas.

III - Quem quiser ser menor ou ser obscurantista, que seja, mas a "pessoa" vai viver às escuras até morrer - e a realidade estará, dia a dia, lhe tapeando a cara. Lembrem-se de que Lula da Silva: (a) foi candidato a Governador do SP, em 1982; (b) foi deputado constituinte (com estrondosa votação - e foi um dos destaques dessa Constituinte); (c) foi candidato a Presidente do Brasil em: 1989, 94, 98, 2002, 2006 (venceu duas dessas); (d) atuou para eleger e reeleger sua sucessora, Dilma Rousseff (2010, 2014), e conseguiu nas duas; e Lula da Silva estava a um passo de se eleger, pela terceira vez, em 2018, se não fosse uma condenação comprovadamente ilegal e abusiva cometida (criminosamente) por Sérgio Moro (chamado pelo dep. fed. pelo PSOL-RJ Glauber Braga de "juiz ladrão": com finalidade didática rsrs). Observemos o tamanho dessa estrada e os feitos de Lula da Silva, nela.

IV - As pesquisas dos últimos meses (mais de um ano, já) demonstram a força - histórica e atual - de Lula da Silva (veja a mais recente, do Ipespe, clicando Aqui). Via CNN Brasil, vc pode acessar os mesmos dados, clicando Aqui. Especialistas na área lembram que, nas últimas décadas, no Brasil ninguém teve tanta chance hipotética de vencer uma eleição aos moldes das atuais chances de Lula (nem mesmo Fernando Henrique Cardoso, quando venceu duas em primeiro turno); "chance hipotética" é um jargão, pois a realidade é desanimadora para os adversários de Lula da Silva, no ano passado e neste ano (de baixo para cima: Ciro Gomes, Sérgio Moro e Jair Bolsonaro).

A título de curiosidade, vejamos os principais dados da pesq. Ipespe (via CNN Brasil) - grifos são nossos:

Intenção de voto estimulada para presidente – cenário COM Sergio Moro (Podemos):

 Lula (PT) – 44%; Jair Bolsonaro (PL) – 24% [20 pontos de diferença, não?]

Sergio Moro (Podemos) – 8%; Ciro Gomes (PDT) – 8% [empatados, mas Ciro, na série histórica das consultas populares, não consegue jogar Moro pra baixo]

João Doria (PSDB) – 2%; Simone Tebet (MDB) – 1%

Rodrigo Pacheco (PSD) – 1%; Alessandro Vieira (Cidadania) – 1%

Felipe d’Avila (Novo) – 0%

Branco/nulo/não vai votar – 8%

Indecisos – 4% 

Intenção de voto estimulada para presidente – cenário SEM Sergio Moro (Podemos)

  • Lula (PT) – 44%; Jair Bolsonaro (PL) – 26% [Jair "ganhou" dois pontos de Moro]
  • Ciro Gomes (PDT) – 9%; João Doria (PSDB) – 4% [Dória "ganhou" dois pontos de Moro, Ciro ganhou um]
  • Simone Tebet (MDB) – 1%
  • Rodrigo Pacheco (PSD) – 1%
  • Alessandro Vieira (Cidadania) – 1%
  • Felipe d’Avila (Novo) – 1%
  • Branco/nulo/não vai votar – 10%; Indecisos – 4% [Observemos que o "Branco, NUlo, Não vai votar", que era 8%, subiu para 10% com a saída de Moro; os indecisos se mantém em 4%]


V - Conclusão, ou um olhar deste Blog: Bolsonaro e Dória (o BolsoDória de 2018) ganham dois pontos, cada, com a saída de Moro; não existe a tal de transferência completa de intenção de votos de Sério Moro para Bolsonaro. Moro carrega contra si inúmeras suspeitas, de conduta ética, de idoneidade moral etc., mas a dúvida mais popularizada é se ele será, mesmo, candidato ao Planalto sem chances de vencer - ou, sequer, de ir ao segundo turno: suspeita-se que ele possa concorrer ao Senado, por SP ou DF, para tentar conseguir foro privilegiado e se livrar com mais facilidade de possíveis futuras condenações; mas isso é leitura, são conjecturas.

VI - Deixamos umas reflexões e vc, a tds Nós:

1 - Por que um Ciro Gomes (atualmente, no PDT) não consegue chegar ao terceiro lugar, mesmo já tendo sido candidato a Presidente outras vezes?

R: Possivelmente, é porque as popularidades de Bolsonaro e de Moro ofuscam o cearense; a força política de Lula da Silva (inclusive e principalmente no Nordeste) não permitem que Ciro fure essa "bolha". Para piorar, a principal estratégia política de "Cirão das massas" tem sido atacar o PT e a pessoa de Lula e o povo não demonstra, neste momento, interesse em saber de brigas e de ataques pessoais: as preocupações principais dos eleitores(as) são com a vida, as vacinas, o emprego (e o pavor do desemprego), o custo dos alimentos (preço da carne bovina, p. ex.), do gás de cozinha e dos combustíveis - para citar apenas uns itens. Ciro não consegue "roubar" votos de Lula, nem furta uns zinhos dos "devotos do Mito".

2 - Por que um ex-Juiz, que ontem era uma "celebridade" nacional, não consegue decolar e ultrapassar o presidente-candidato?

R: O mais plausível, a nosso ver, é porque lideranças políticas não se fazem do "dia para a noite"; igualmente, porque políticos monotemáticos não se enraízam nos tecidos populares (Moro só fala de "coopção" ou "combate à coopção"; é uma pessoa com reduzida e limitada capacidade intelectual e fraquíssimo manejo do discurso político (neste quesito, Lula e Ciro são PHDs). Moro fala e encanta uma parte da população nacional, mas em um estado federado - a depender de certas táticas e cenários - pode ser bem sucedido disputando uma vaga ao Senado Federal). Enquanto uma parte das pessoas veste a camisa da CBF e sai a se divertir em "passeatas" de domingo, a maioria do povo quer saber se vai ter comida, gás etc. e como se deslocar para trabalhar - e se terá como ganhar a comida diária.

3 - Por que um "Presidente" no exercício do mandato, com a caneta e a dinheiro na mão, não consegue decolar e ultrapassar um "ex-presidiário"?

R: Possivelmente, é porque se trata de uma pessoa que não tem, em si, as credenciais de pessoa, de um líder político que viva como gente (que sofre com a dor das doenças e das mortes de seu povo, com a fome de outrem e com as dores de quem vai às ruas sofrer frio, fome ou morrer à míngua). Chamado popularmente de "Coiso" (ou seja, de não gente), diante das mortes dos brasileiros(as), Jair fala, tranquilamente: "E daí?, eu não sou coveiro" (ou seja, ele diz que não tem o dever de enterrar as pessoa de sua (nossa) família, quando morrem de Covid-19 e/ou de outras doenças; "isso não tem nada a ver comigo", quer dizer ele). Essa indiferença ao sofrimento das pessoas, inclusive das que morrem ofegantes, sem conseguir respirar (ao que ele faz deboche e imitação zinha de "ofegar"), não abala seus 23% a 27% de aceitação, ou perto disso, mas o fato de não dar resultados na questão do emprego, na economia e na vida vivida de nosso povo conta muito contra ele; para piorar: Jair não consegue falar de seus problemas, nem demonstrar que está governando o país (até em dias normais de trabalho, ele é filmado com moças em lancha, curtindo uma praia, dançando um funk...), é incapaz de mostrar um cenário mais animador à nação: assim que é questionado sobre os seus indícios de corrupção ou sobre a inércia de "seu governo" (seria do Centrão?), ele jorra seu ódio pessoal contra "o Lula e o PT", a "Venezuela", os "Comunistas e esquerdopatas" e defeca outras merdinhas similares. Seus devotos nada querem saber disso, ou de suas incapacidades como governante, mas cerca de 75% de nosso povo, sim, quer. Acontece que não há como comparar as forças políticas e as infiltrações populares de Lula e Bolsonaro, não tem como convencer quase dois terços de nosso povo de que Lula e Bolsonaro são, politicamente, do mesmo tamanho; é quase uma distância entre "céu" e "inferno".

4 - Por que, retirando o juiz "ladrão" do tabuleiro, mesmo assim a preferência de Ciro ou de Bolsonaro (pai) não decola e ultrapassa o Lula da Silva?

R: Acontece que o cara a quem o carioca Glauber Braga assim chamou não transfere um mundão de votos para Jair (seguidores de um e de outro estão se portando como inimigos, ultimamente; apesar de a "conja" de Moro dizer que o esposo dela e o da "Micheque" são a "mesma coisa", são uma só pessoa); acontece que o ex-Juiz e maior aliado de Bolsonaro de 2018 não "tem" 23% ou 25% de votos para jogar no coo de Ciro ou do Bozo. Mais que isso: (i) em preferenciais eleitorais, captação de votos (não disse devotos, fique claro) não se faz tal qual as transferências bancárias; pessoas não são meros números: ao sair o Moro do tabuleiro, a pessoa mede bem sua decisão (alguma coisa vai ao falecido João Dória, que já brochou antes mesmo da penetração eleitoral), um pouquinho segue ao Jair, um tantinho vai parar no Ciro; (ii) outra explicação passa por isto: Lula da Silva tem uma estrondosa força política/eleitoral nacional:

(a) foi candidato a Governador do SP;

(b) foi deputado constituinte (foi um dos destaques dessa Constituinte);

(c) foi candidato a Presidente do Brasil em: 1989, 94, 98, 2002, 2006 (venceu duas dessas);

(d) atuou para eleger e reeleger Dilma Rousseff (2010, 2014): foi vitorioso nas duas batalhas; e estava a um passo de se eleger, pela terceira vez, em 2018, se não fosse retirado do tabuleiro por... Sérgio Moro;

(e) somente Lula da Silva é do Partido dos Trabalhadores: maior partido do Brasil e da América Latina (isso é a realidade; não é uma torcida ou um (des)amor; vc pode amar ou odiar a vida, mas ela é do jeito que a realidade mostra e prova - fugir da realidade não faz com que esta deixe de existir). Mesmo no auge da popularidade de Sério Moro + Bolsonaro (2014 a 2018), o PT não deixou de ir ao segundo turno, obtendo mais de 47 (quarenta e sete) milhões de votos (dados a um inexperiente candidato, o prof. Fernando Haddad); o citado partido foi ao segundo turno de todas estas eleições para Presidente: 1989, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 - e está praticamente colocado, pelo povo, no seg. turno desta disputa de 2022 (se não vencer no primeiro turno, o que é um tanto pouco provável, mas não está descartado). Por que eles não "decolam" contra Lula da Silva? Resumo a tds nós: é porque nenhum desses é Lula da Silva, nem é do PT. É porque a realidade do Brasil mudou drasticamente, se comparada a 2015, 16, 17 e, sobretudo (eleitoralmente), a 18.

VII - Podemos ter ódio dessa pessoa e de seus partido, mas isso não faz a nossa realidade deixar de existir; só prova(ria) que nós não conseguimos enxergá-la tal como é.


Exc. fim de domingo; Israel Araújo (45) é professor e escritor, poeta, pesquisador e blogueiro.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

(Artigo) Reajuste do Piso Salarial 2022: a perspectiva dos Profissionais e o golpe arquitetado pelo Governo Federal!

José Moraes Quaresma (Prof. José Júnior)

O ano é 2022 e sucede um ano em que o Piso Salarial do Magistério ficou sem reajuste, bem como todas as vantagens dos Servidores que pertencem a esta categoria, seja pelo não reajuste do Piso em si, seja pela implementação da Lei Complementar 173/2020; não bastasse isso, tivemos, em 2021, uma alta considerável da inflação, fazendo produtos como combustíveis e especialmente a cesta básica chegarem a valores exorbitantes.

Se em 2021, o Professor passou por este “aperto”, 2022 figurava como ano de esperança, em termos salariais, e essa esperança cresce, quando da publicação da Portaria Interministerial nº 10, de 20 de dezembro de 2021, isso porque a publicação desta portaria, aliada à Portaria nº 03 de 22 de novembro de 2020, definiu o valor do Piso para o ano de 2022. Segundo a Lei 11738/2008, o Piso deve ser atualizado anualmente, e tal atualização é fruto do crescimento da diferença no valor aluno praticado nos dois últimos anos. Portanto, tinha-se agora um percentual: 33,23%, e um valor – R$ 3.845,35 (três mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e trinta e cinco centavos).

É importante mencionar que o Piso para o ano de 2021 já havia sido golpeado, através da Portaria Interministerial nº 03 de 22 de novembro 2020, pois, em regra geral, não eram emitidas portarias tão próximo do final do ano. A citada portaria fez efeito devastador, ao alterar o valor aluno reduzindo o mesmo, fez com que o Reajuste do Piso contabilizasse negativo, sendo mantido, então, o mesmo praticado em 2020, e os municípios tivessem perda nos repasses; no caso de Igarapé-Miri, uma perda acima de 4 milhões.

De 2021 para 2022, não caberia o mesmo artifício. Então o governo federal resolveu atacar a legalidade da lei. Sugestionando, através de Nota do Ministério da Educação, publicada em 14 de janeiro, que o índice de atualização precisa ser revisto. É de conhecimento público que o governo federal tem essa intenção, que dialoga muito bem com a Confederação Nacional dos Municípios – CNM, que deseja fervorosamente que essa mudança aconteça; inclusive, em Nota publicada pela confederação, em 27 de setembro de 2021, o “eterno” presidente da entidade, Paulo Ziulkoski foi taxativo em dizer “é urgente alterar o critério de atualização do piso”.

O desejo do Ministério, da CNM, e de parte do Congresso Nacional, dentre outros inimigos da Educação, é um problema para os Trabalhadores(as); obviamente, é um problema para o cumprimento da meta 17, e acima de tudo é um problema para a qualidade da Educação, mas o maior absurdo nem mora aí, até porque como diria Darcy Ribeiro “a crise da Educação no Brasil, não é uma crise, é um projeto”; o mais grave de tudo isso é a forma como uma política pública, que é a Educação, e que todos devem concordar comigo que é fundamental para o desenvolvimento do país, está sendo violentada.

O reajuste do Piso do Magistério, como já dito, obedece uma regra jurídica, que mesmo sendo atacada sobreviveu ao passar no crivo da Suprema Corte do país, que reconheceu a legalidade dela em todos os seus aspectos. Logo, mudá-la exige o mesmo processo pelo qual ela foi forjada, ou seja, debate no Congresso Nacional, aprovação e sanção.

A CNTE, no dia 15 de janeiro de 2022, publicou Nota com a seguinte chamada “Ilegalidades e conchavos marcam mais uma tentativa de golpe contra o piso do Magistério”; nela, a Confederação faz menção ao fato de que, ao encerrar uma reunião entre MEC, FNDE e UNDIME, as entidades “decidiram” zerar o reajuste do Piso. É absurdo e vergonhoso como entidades ligadas à Educação prestem-se a tamanho papelão.

Nos últimos anos, Trabalhadoras e Trabalhadores foram alvos de diversos ataques, com o aval do Congresso, que resultaram em perdas históricas, como a Reforma da Previdência, Trabalhista: estas precisaram serem aceitas, pois tornaram-se lei, mas no caso do Reajuste do Piso, NÃO.

É inadmissível que o Presidente da república irá ver em Medidas Provisórias os instrumentos que utilizará para governar o país, pondo risco à segurança jurídica tão necessária; ocorre que através das medidas provisórias, é bem mais tranquilo para definir os ataques.

Por fim, a CNTE tem um encaminhamento a suas entidades, que a lei 11.738/2008 continua vigente, e que, portanto, o cálculo que definiu o reajuste em 33,23% é legítimo; portanto, as entidades estão encaminhando ofícios aos gestores cobrando a aplicação deste percentual. No caso do não cumprimento, haverá lutas tanto na esfera jurídica quanto na política.

[CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores(as) em Educação. Os grifos são todos deste Blog]

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Prof. José Jr. é Especialista em Direito Educacional e Graduado em Administração Pública; é pedagogo e pregoeiro. Estudioso do financiamento público da educação básica, atua nas redes de ensino de Igarapé-Miri e na Seduc-PA. Ex-Presidente do Conselho do FUNDEB em Igarapé-Miri, é o atual Coordenador-Geral do SINTEPP na Regional Baixo Tocantins e na Subsede de Igarapé-Miri; editor/fundador do Blog Conversa com José Júnior.